Coluna | Katniss Everdeen é Feminista?


Que Jogos Vorazes é uma das trilogias mais comentadas dos últimos anos todos sabem. Mas o que muitas pessoas ainda não perceberam ou não se deram conta é que Jogos Vorazes nos apresenta uma personagem na qual devemos nos inspirar.

Katiniss Everdeen é uma personagem diferente de milhares, que traz a essência de uma mulher diferente daquelas personagens das quais nos acostumamos durante o passar dos anos. Aquelas que vivem em função de um príncipe encantado que não existe, e em relação a isso Katiniss é uma aula sobre independência, coragem e determinação.

Acontece que muitas pessoas quando começam a ler Jogos Vorazes acham Katiniss chata, dizem que pensa muito sobre sua vida  e outras “n” coisas que a tornam pra essas pessoas menos digna de apreciação ou reconhecimento. Então vamos aos fatos que muitas dessas pessoas não enxergam enquanto lêem a triologia.

Katiniss em uma sociedade que permanece de pé as custa de uma ditadura, caça ilegalmente e vende o que consegue em um mercado negro pra pode alimentar sua família. Já passou fome, e dependeu de outras pessoas pra poder se alimentar, fora as inúmeras vezes que seu nome foi colocado no sorteio para tributos em troca de comida.

Então podemos dizer que se Katiniss é uma personagem chata, nós somos tão insuportavelmente chatos quanto ela, afinal ela nada mais é que uma representação fictícia da realidade. Se ela pensa muito sobre como vai conseguir comida, é porque pessoas na nossa sociedade que passam pelos mesmos problemas também pensam assim.



E diferente do que tantas pessoas costumam falar, ela não é uma guerreira ou heroína, ela é aquilo que precisa ser pra salvar sua irmã. Quando ela está ali no momento do sorteio dos tributos e escuta o nome da Prim ela se coloca no lugar da irmã porque tem consciência que Prim não vai conseguir passar por tudo aquilo, e se ela pode ir e morrer no lugar da irmã, com certeza vai fazer isso. E esse pensamento, tanto quanto a atitude dela, seria normal pra qualquer irmão mais velho, é instinto se colocar no lugar do caçula pra privá-los de maiores problemas.

Enfim, Katiniss se tornou alguém que as pessoas querem que ela seja, ela nunca foi assim, tudo que ela sempre quis foi que sua irmã crescesse bem, mas tudo saiu do controle quando precisou encarar os jogos e se tornou o símbolo de uma rebelião que ela nem mesmo queria. Ela é o tordo porque as pessoas precisam que ela seja o tordo, e não porque ela realmente seja uma princesa guerreira como a Mulan.

Gale, no entanto é um personagem que ganha sua importância no decorrer da história, mas que em todo um contexto não significa nada. Ele nada mais é que um amigo que cresceu caçando com Katiniss e que não faz diferença até o último livro. Mas existe digamos, a necessidade de romance em qualquer que seja a obra.

Por mais que eu tenha certeza que a trilogia venderia mesmo sem o velho triângulo amoroso, muitas pessoas lêem a história exatamente por isso, e nem percebem que o contexto e a história do livro é outra completamente diferente. 

A obra em si é boa por si só e prende quem a lê do início ao fim, mas quando chegam as cenas esporádicas que envolvem o romance eu me senti entediada, porque uma história tão boa não deveria precisar de um romance pra se sustentar.


E pra finalizar, não, Katinissi não é uma personagem feminista. Ela só se encaixa nesse “rótulo” pra quem é machista. Ela é uma garota normal que quer manter a família bem e quer sobreviver, é só isso com o que ela se importa, e se pra você ela é o “homem” enquanto Peeta é a “mulher” da história porque ele é sensível, você precisa rever seus conceitos urgentemente porque eles estão bastante ultrapassados. 


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