Notícia | O Pequeno Príncipe no 23º Anima Mundi

Entre os 483 filmes integrantes do cardápio do 23º Anima Mundi, em exibição a partir desta sexta-feira no Rio (até o dia 15, mudando-se para São Paulo de 17 a 22 de julho), foi reservado espaço nobre para uma sensação do Festival de Cannes , já cotada para o Oscar, em seu diálogo com um clássico da literatura:  O Pequeno Príncipe  (The Little Prince). Orçada em US$ 81,2 milhões, esta produção ítalo-francesa, falada em inglês por um elenco de dubladores do porte de Jeff BridgesJames FrancoBenicio Del Toro eRachel McAdams, foi dirigida pelo americano Mark Osborne, realizador de  Kung Fu Panda  (2008) e de episódios da série  Bob Esponja . Aos 44 anos, o cineasta chega ao Brasil na noite deste sábado para uma sessão de gala do longa-metragem em solo carioca, na Cidade das Artes (na Barra da Tijuca), às 20h. O projeto é baseado em um marco da literatura,  Le Petit Prince , escrito em 1943 por Antoine de Saint-Exupéry (1900-1944), traduzido para cerca de 250 línguas e dialetos, com uma estimativa de 2 milhões de exemplares vendidos a cada ano.
Este filme é uma Babel, pois juntou um diretor americano, músico alemão, equipe francesa e talentos do mundo todo buscando falar um mesmo idioma: o do sonho”, definiu (durante a coletiva do filme em Cannes) Aton Soumache, produtor de sucessos como Qual é o Nome do Bebê (2012), responsável por levantar a verba para o projeto. “Imagine a pressão de juntar essas pessoas todas por trás de uma marca forte como O Pequeno Príncipe”.
Soumache lembra que, durante anos, o diretor americano Orson Welles (1915-1985) teve os direitos de adaptação do romance de Saint-Exupéry e chegou a escrever um roteiro com base nele. Porém, o script feito pelo realizador de Cidadão Kane (1941) era literal demais para ser vertido como um filme animado em diferentes técnicas (3D, stop-motion). Na versão de Osborne, escrita por Irena Brignull (de  Os BoxTrolls ) com base em um argumento do próprio diretor, foi necessária a criação de uma trama paralela no qual uma garotinha em crise afetiva esbarra com um vizinho excêntrico, o Aviador, de quem ouve a história sobre um principezinho morador do asteroide B-612, às voltas com baobás, raposas falantes e rosas melindrosas.
Esse projeto levou dez anos para ser executado, em parte porque estávamos em busca de uma perspectiva de maior entretenimento, capaz de se comunicar com jovens plateias que não leram o livro. Durante três anos, corremos atrás de alguém que tivesse uma narrativa mais popular que pudesse dirigir o filme. Foi quando Mark Osborne apareceu”, explica Soumache.  
A releitura produzida por Soumache está prevista para estrear no Brasil no dia 20 de agosto, com Marcos Caruso dublando o Aviador.“Embora seja um livro francês, ele é uma história universal e, por isso, nós trouxemos artistas do mundo todo para trabalhar na animação”, explicou Osborne, durante a coletiva de imprensa do filme em Cannes, onde o longa foi projetado fora de concurso, disputado por distribuidores de diferentes cantos do planeta. “Quando li O Pequeno Príncipe para meus filhos, eu tive a sensação de estar de volta à minha infância. Tem uma poesia nele. É uma história sobre relações partidas”.
Com sinal verde Soumache, Osborne pôde animar seu enredo de formas diferentes, dando uma roupagem mais “artesanal” (pela manipulação de materiais como tecido e madeira) na parte relativa à saga do principezinho na geografia do B-612. 
A mistura de técnicas foi uma forma de realçar a grandeza que a história tem, abordando-a sob diferentes perspectivas plásticas. Optamos pela computação gráfica na parte relativa ao drama da menina com o Aviador e tratamos o coração da trama, que veio do livro de Saint-Exupéry, a partir da animação de objetos quadro a quadro. Fiz essa opção porque o stop-motion me remete a memórias de infância e porque tem uma magia particular”, disse Osborne na coletiva de Cannes.
Fora o roteiro de Welles, o romance de Saint-Exupéry foi filmado em 1974 por Stanley Donen, com o inglêsSteven Warner no papel principal. E entre 1978 e 1979, a TV Asahi do Japão desenvolveu o anime serializado As Aventuras do Pequeno Príncipe, exibida aqui nos anos 1980 pelo SBT. Houve ainda a série animada austríaca Der kleine Prinz, de 1990. No Brasil, a atriz Luana Piovani fez do livro uma peça infantil e a produtora Lara Velho o transformou numa ópera, apresentada no Teatro Municipal do Rio. 

Fonte: Omelete

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