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Entrevista com Andrew Pyper, Autor de O Demonologista

10:19
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O personagem principal, David Ullman, é um professor de literatura especializado no clássico de John Milton, Paraíso Perdido. Quão familiar você era com esse texto antes de começar a escrever O Demonologista? Como usou o poema para ajudá-lo a moldar a trama e os acontecimentos em seu romance?

Andrew Pyper: Eu tinha lido Paraíso Perdido como estudante na universidade, mas me lembrava pouco dele. Não, não é verdade: eu me recordava de poucos detalhes, mas carregava comigo os argumentos persuasivos e o dilema lastimável de seu discutível e ambíguo protagonista, Satã. Nos trechos em que ele é o narrador, achei o poema fascinante, quase perigoso em seu encanto. Mas quando o demônio não está presente, recordo-me de sentir que ele era um pouco difícil. Naquela época, eu teria concordado com a opinião do dr. Johnson, de que “ninguém o desejou mais longo”.

Vinte anos depois, sou um romancista. (Também sou pai; isso ganha certa relevância em determinado momento.) Por vezes, estava refletindo sobre um caminho para criar um novo tipo de mitologia demoníaca em uma obra de ficção, uma sem padres, exorcismos, água benta escaldante ou as armadilhas costumeiras das histórias de “possessão”. Queria imaginar uma narrativa que fizesse os demônios parecerem bem fundamentados e reais – uma explicação plausível do por que algumas pessoas, por algum tempo, agem de maneira irracional. Para alcançar isso, a relação entre os personagens humanos e demoníacos na história teria que ser ao mesmo tempo misteriosa e coerente fantástica e crível. Foi ao desenvolver o que poderia ser utilizado como o fundamento para esse universo que me lembrei de Paraíso Perdido. De novo, não foi tanto o poema ou como eu pensava nele, mas um sentimento com o qual ele me deixou, a vitalidade de seu anti-herói, seu sofrimento, sua fúria velada e terrível solidão. Em resumo, ele foi um personagem que imaginei primeiro. Uma conexão emocional, e não um monstro.

David é um estudioso da demonologia, mas é um cético determinado em sua vida pessoal. O quanto de você está ali neste personagem? 

Andrew Pyper: Como em todos os meus protagonistas, há um boa parte de mim em David Ullman, embora haja partes mais numerosas as quais eu não tenho nada em comum com ele. Eu e David somos ambos pais, leitores e devoradores de livros. E sim, também não somos religiosos de alguma maneira significativa. Mas se eu deixo uma porta entreaberta em minha mente para o impossível, o inexplicável e o misterioso, David é (no começo do romance, ao menos) um ateu completamente comprometido, um racionalista, o tipo de homem que vê a fé como uma prática intelectual inferior. Nessa questão, entre outras – a diversão do pensamento sem limites –, não poderíamos ser mais diferentes. 


Outra característica que você compartilha com David é a paternidade. Como foi escrever um romance sobre um pai tentando resgatar sua filha não apenas da morte, mas possivelmente de um destino pior que a morte?  

Andrew Pyper: Pode soar estranho dizer que eu chorei com frequência enquanto escrevia um thriller sobre demônios, mas ao trabalhar em O Demonologista isso aconteceu bastante, emoções a flor da pele, muitas delas me surpreendendo com sua crueza e ferocidade. A primeira entre elas é o amor que tenho pelos meus filhos, e por Tess ser uma menina, pensei muito em minha própria filha, Maude. Nunca uma dedicatória foi mais merecida, pois eu não teria encontrado um rumo para essa história – nem para David, ou mesmo para o sofrimento particular do Inominável – sem ela. Eu sabia que para fazer o romance funcionar em um nível emocional, tinha que imaginar a situação que mais temo. Para fazer o leitor ter medo, eu tenho que sentir medo. E eu senti com frequência. Tudo isso fez de mim um pai melhor, pode acreditar.

O Demonologista é um thriller excelente à sua própria maneira, mas ele também adentra o gênero do terror. Como escritor, o que acha que funciona para os momentos mais assustadores? Como você insere uma reviravolta em um thriller realista para dar a ele as qualidades que as pessoas buscam em um romance de terror? 

Andrew Pyper: O terror, para mim, não é definido por aquilo que provoca o medo em alguém, mas pelo ser humano que tem contato com aquilo. Adoro histórias assustadoras e filmes de terror, embora, em minha opinião, eles possam também falhar com frequência em ser experiências estéticas completamente bem-sucedidas, pois a ênfase está no monstro, no fantasma, no vampiro, em vez de no por quê o misterioso escolheu visitar um personagem em particular, como ele experimentou aquilo, os rumos que alteraram através dessa rachadura em suas vidinhas mais ou menos normais. 


Qual o livro mais assustador que você já leu?

Andrew Pyper:
 Não há um único vencedor aqui, apenas uma pequena lista de influências profundas. Lembro-me que minha mãe me proibiu de ler O Iluminado, de Stephen King, quando eu já estava na metade do livro. Isso me deixou tão nervoso e atormentado por pesadelos e geralmente aborrecido por ter que viver com isso (embora eu naturalmente tenha ignorado minha mãe). Mais tarde, A Outra Volta do Parafuso, de Henry James, mostrou-me o quão delicioso poderia ser, como leitor, caminhar pelo fio da navalha entre a crença em fantasmas (ou o que quer que seja a coisa misteriosa) em uma história como algo “real”, ou as projeções psicológicas do personagem. Tempos depois, A Face at the Window, de Dennis McFarland, provou – como se precisasse ser provado – que um romance literário de qualidade e o horror não são apenas compatíveis, mas potencialmente melhores juntos que qualquer outro subgênero.

Por fim, de qualquer forma, eu volto à infância. Para uma semana que passei em um acampamento de verão cristão (não diga), lendo a Bíblia em minha barraca enquanto me escondia dos valentões que diziam, desde a hora em que saí do ônibus, que “Até o final da semana... você vai estar morto”. Foi lá que encontrei o Apocalipse. Ele me assombra desde então. 

A escrita de O Demonologista mudou alguma das suas crenças em relação ao sobrenatural?

Andrew Pyper: Sim. E prefiro deixar as coisas como estão.


Andrew Pyper (1968) é o premiado autor de seis romances, entre eles Lost Girls (1999), vencedor do Arthur Ellis Award, selecionado pelo New York Times como um dos livros do ano, e best-seller nas listas do New York Times e do Times (Inglaterra). Seu livro The Killing Circle (2008) foi eleito o melhor romance policial do ano pelo New York Times. Três romances de Pyper, incluindo O Demonologista, estão sendo adaptados para o cinema. E ainda assim, seus livros continuavam inéditos em nosso país. Claro que tinha que ser a DarkSide® Books para trazer esse mestre moderno do terror e suspense para o Brasil. Saiba mais em andrewpyper.com.



“É impossível ignorar os demônios que têm uma presença tangível nesta história, mas o prazer mais profundo do romance vem da análise que o protagonista Ullman aplica a esses horrores [...] Que venham os demônios.”
The New York Times Book Review

“A história mais convincente e assustadora que você vai encontrar este ano. O Demonologista mostra um escritor extremamente talentoso, produzindo um romance com uma misteriosa ameaça e profundidade. Aqueles de nós que escrevem histórias sobrenaturais não mencionam os nomes de Ira Levin, William Peter Blatty e Peter Straub em vão. Você vai ouvir todos os três associados a Pyper, e todas essas comparações são honestas, o maior elogio que posso oferecer.”
Michael Koryta, autor de The Prophet

“Uma história de horror incrivelmente lapidada, inteligente e tocante [...] Há uma elegância narrativa e um domínio a respeito do que o mal pode significar.”
Daily Mail (Reino Unido)

“Muitos livros afirmam ser assustadores, mas este é realmente aterrorizante, do tipo nãoleia-tarde-da-noite. Emocionante, convincente e muito bem escrito, O Demonologista faz O Bebê de Rosemary parecer um passeio no parque.”
S.J. Watson, autor do best-seller Before I Go to Sleep

“Muito bem elaborado, delirantemente assustador e uma leitura compulsiva do começo ao fim. Imagine O Exorcista e O Código Da Vinci escrito por Daphne du Maurier. Não perca de jeito nenhum!”

Jeffery Deaver, autor do best-seller O Colecionador de Ossos

Entrevista com Josh Malerman, Autor de Caixa de Pássaros

08:38
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Faz pouquíssimo tempo que li Caixa de Pássaros e se quiser ver a resenha é só clicar aqui. Muito antes de ler eu já estava com aquela vontade louca de saber o que faz as pessoas cometerem atos tão insanos. Terminei o livro procurando mais páginas, e me senti terrivelmente desamparada em saber que acabou. E como se lesse minha mente, a Intrínseca divulgou há alguns dias uma entrevista com a mente por trás da Caixa de Pássaros. Então, sanem a curiosidade de vocês tentando entender de onde saiu uma das melhores histórias que li esse ano.

1- Qual foi o maior desafio ao escrever Caixa de Pássaros?

Escrever o rascunho foi um tornado, uma magnífica corrida. Eu escrevi cerca de 4.300 palavras por dia durante 26 dias e nunca tive dúvida, nenhum momento pensei em desistir ao longo do caminho. Houve muitas vezes que precisei reescrever, é claro. Haha. Eram momentos trabalhosos, tiver que mudar vários assuntos tediosos para realmente melhorar o livro. Eu estou muito feliz com o resultado. A editora, Lee Boudreaux, foi fantástica em todo o processo. Realmente uma grande artista.

2 - Como foi o momento de escrever os personagens do seu livro? Você desenvolveu um por um ou apenas foi escrevendo?


Eles vieram de repente, simplesmente saiu do nada, vi o livro na minha mente. Eu não sou um grande fã de contornos. Eu sou apenas estranho o suficiente para considerar o livro feito se eu tiver que descrever apenas a realidade dos fatos. 
Eu também prefiro ir lendo enquanto escrevo. Naturalmente, isto pode ser perigoso. Você pode acabar reescrevendo coisas que não precisa. Mas eu acho que se você pode imaginar buracos nessas paredes e rastrear eles antecipadamente, isso pode ser um grande ganho de tempo e de detalhes extras na história.

3 - Você se lembra de quando teve a ideia de escrever 
Caixa de Pássaros?

Sim. Eu estava na parte de trás do carro, nós estávamos a caminho de Chicago, e alguém mencionou uma venda ou uma canoa ou ambos, e fiquei impressionado com a imagem de uma mãe remando com seus dois filhos com os olhos vendados em um rio. Eu pensei que era um bom lugar para começar. Na medida em que o que eles estavam fugindo. Estive por muito tempo com medo do Infinito, com medo da ideia de que a realidade de um homem poderia quebrar se ele fosse realmente contemplar o Infinito. Eu acho que é porque é um conceito ... porque é invisível ... a ideia de que um conceito pode conduzir uma pessoa louca. Isso é assustador para mim. Então ... quando comecei o processo de escrita do livro pude entender que Malorie fugia do Infinito.

4 - Quando teremos o filme Caixa de Pássaros?

Eu não tenho certeza, mas eu ouvi que eles estão fazendo um progresso real. Dedos cruzados. Estou ansioso para vê-lo na telona.

5 - O seu livro faz um grande sucesso no Brasil. Que mensagem você deixa aos fãs brasileiros?

Ah! Isso é ótimo de ouvir! Eu diria: "Espere por mim! Eu estou indo em breve para o Brasil e quando chegar aí , vamos todos comemorar os livros de horror! "

6 - Que conselho você daria para os escritores iniciantes?


Algumas coisas vêm à mente:

Primeiro: não tenha medo das tangentes. Então ... se você ficar "preso" em determinada parte da história, basta escrever umas 20 páginas de detalhes que acontecem ao redor do seu personagem, na mente de outras pessoas, faça isso e você provavelmente vai adorar a maneira como a tangente contribui grandemente para a história.

Segunda: Não espere por inspiração. A inspiração é um monstro. Engana-se quem a espera, ela o acalma até você dormir. Se você escreveu todos os dias durante um mês, inspirados ou não, você provavelmente não será capaz de ver a diferença quando voltar a ler. A inspiração é algo subjetivo.

Terceiro: Não tenha medo de escrever um livro "ruim". O que você prefere? Um rascunho de má qualidade, mas completo que agora você pode corrigir? Ou não começar projeto nenhum?

7 - Você quer escrever mais livros sobre esse mundo de olhos vendados?


É Claro. Eu adoraria. Mas há muitas outras idéias dançando em minha mente primeiro.


Então, leia o livro, garanto que você vai mergulhar em um mundo de tensão e mistério. Mas cuidado, feche bem os olhos antes de sair de casa.
 
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