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Conto | Acorde de Uma Canção

14:59

Querida acorde. Daqui a pouco as visitas irão chegar e você precisa estar pronta.

Visitas? – minha voz parecia estar saindo de um túnel.

Imaginei que você tivesse esquecido – minha mãe falou com um tom de voz triste e depois sentou na beirada da cama – Seu tio está vindo nos visitar, e ele vai trazer seu primo. Lembra?

Claro que lembro meu tio e meu único primo. Meu primo que sempre foi insuportável, com suas brincadeiras ridículas sobre como seria maravilhoso se nos tornássemos namorados. Ridículo.

Lembro mãe. Já vou levantar tudo bem? A senhora já pode ir. – falei e dei as costas pra ela. Eu sabia que se fizesse aquilo continuaria dormindo por horas, mas ela não pareceu se importar.

Abri os olhos e a noite já havia chegado. Minha mãe não iria me matar com as visitas em casa, mas assim que possível ela cometeria um pequeno crime com sua filha adorada.

Você acordou. – a voz era doce, mas ainda assim fiquei assustada.

Mais que merda. – uma garota que aparentava ter minha idade estava sentada no chão com uma pilha de papéis nas pernas – Quem é você?

Bom, eu sou amiga do Clark. Não tinha para onde ir nas férias, e seu tio acabou me convidando pra vir com eles.

E porque diabos você está no meu quarto? – levantei e comecei a vestir alguma roupa.

Sua mãe falou que eu poderia dormir com você enquanto seus tios estão aqui. – ela levantou e veio em minha direção, seus olhos eram incrivelmente azuis. – Meu nome é Sabrina, prazer. – o sorriso estampava aquele rosto branco, quase transparente.

Sai sem cumprimentá-la de volta e bati a porta do quarto. Pensei que minha mãe fosse me matar depois, mas pelo que percebi o meu assassinato começou bem antes.

Corri até a cozinha e encontrei minha mãe conversando alegremente com nossos convidados. Fui até o lado da minha mãe, me aproximando o suficiente de seu ouvido pra que apenas ela escutasse.

Eu quero aquela garota fora do meu quarto, agora.
Ela me ignorou e olhou diretamente pra meu tio que estava do outro lado da mesa.

Então Raphael – ela falou olhando pra ele e depois desviando o olhar pra mim – já lhe contei que Sara foi escolhida como a melhor musicista da escola?

Não, você não havia me falado. – meu tio tinha o ar cansado de tantos anos trabalhando dentro de um caminhão – Parabéns garota, nós sempre soubemos que você nos daria muito orgulho.

Não gostava de começar nenhum tipo discussão, nunca. Mas, se era assim que ela queria. Eu teria que lhe dar com outra pessoa invadindo um lugar privado. Não sou uma filha rebelde, nunca fui, mas o fato de eu imaginar que tem outra pessoa no meu quarto já me deixa desconfortável.

Sai da cozinha com um sorriso amarelo do meu tio, e um olhar ameaçador da minha mãe. Não estava com fome e voltei direto para o meu quarto.

O que você está fazendo ai? – perguntei, minha colega de quarto estava debruçada sobre meu violão.

Tocando. Quer dizer, tentando tocar algo. Você me ajuda?

Tudo bem estava começando a gostar daquela garota. Nada me deixa mais feliz que alguém compartilhando do mesmo amor que eu. A música.

Bom, eu até queria te ajudar com algo, mas eu não tenho como posso dizer? Não tenho o dom de ensinar as pessoas. – me joguei na cama enquanto ela continuava me encarando, sentada do chão e com o violão sobre as pernas. – Aprendi sozinha, então não sei como ensinar outras pessoas.

Então ta bem. – seu olhar ficou triste – acho que vou voltar pra sala e ficar com seu primo, você o viu quando foi à cozinha?

Na verdade eu nem reparei.

Ela levantou e me entregou o violão, deu um sorriso de lado e saiu do quarto tão silenciosamente quanto entrou.

Comecei a dedilhar uma canção qualquer, meus ouvidos se inundando com aquele bater de cordas, e meu coração acompanhando o ritmo. Deitei e fiquei encarando o teto com o violão sob minha barriga. Meus dedos deslizavam por entre as cordas, e minha voz começou a se sobrepor ao dedilhar.

E ai Sara tudo tranqüilo? – era a voz do meu primo. Nem me dei ao trabalho de abrir os olhos – Que isso? Não vai falar comigo?

Não. E na verdade sua amiga está procurando você. Sabrina, certo? Acho bom você encontrá-la, ou ela pode se perder nesse palacete.

Quando Sabrina retornou ao quarto, eu estava levantando da cama pra guardar o violão, e só então percebi que passei mais de três horas tocando.

Toca pra mim – ela pediu com aquele sorriso que parecia nunca sair do seu rosto. Incrível, eu nunca havia conhecido alguém assim.

O que? – a vergonha se expressou em meu rosto – Não, eu, an...não toco pra ninguém. – como fui ridícula.

Por favor? – o sorriso sumiu, e seu rosto assumiu um olhar de criança quando precisa convencer um adulto a lhe dar algo.

É melhor não. Desculpe. Acho melhor irmos dormir.

Mas você acabou de acordar. Porque não vemos um filme?

Ok, se isso fizer você parar de me pedir coisas - falei sorrindo e ela retribuiu.

Assistimos ao Senhor dos Anéis, e ela suspirava a cada aparição do Legolas. Foi divertido, e quando dormimos já eram quase três da manhã, ela na cama, e eu em um colchão no chão.

Acordei escutando Sabrina murmurando algo inteligível e se debatendo na cama. Levantei e me aproximei dela tentando acordá-la. Quando abriu os olhos eles pareciam mais azuis que da ultima vez que eu os havia visto. Ela estava muito assustada.

Você está bem? Foi só um pesadelo. – falei enquanto deslizava as mãos por sua testa. Lágrimas desciam de seu rosto, e em nenhum momento ela me encarou.

Obrigada por ter me acordado – ela disse – pode ir deitar, eu já estou bem.

Tem certeza? Se quiser posso acender a luz, ou quem sabe podemos continuar vendo O Senhor dos Anéis.

Não precisa – ela sorriu, mas o sorriso não parecia nada com o que ela havia me dado horas atrás.

Voltei pro colchão, fechei os olhos e dormi. Durante quase todas as noites ela chorava e tinha pesadelos. Eu sempre levantava e ia acordá-la, ela nunca queria que eu ficasse perto, sempre me mandava de volta para o colchão e voltava a chorar.

Faltava uma semana pras férias acabarem, e minha mãe decidiu visitar minha avó com meu tio e meu primo. Eu teria ido se ela tivesse se dado ao trabalho de me chamar, só soube do pequeno passeio quando acordei e vi o recado sobre a mesa.

Bom dia querida, estou indo visitar a vovó com seu tio e seu primo. Espero que não tenha ficado triste por não tê-la acordado, só queria que desancasse um pouco mais, já que todas as noites você acorda com os pesadelos da Sabrina.

Joguei o recado no lixo e preparei o café da manhã. Sabrina comeu um pouco e ficamos falando sobre música durante longas horas. Quando o relógio marcava nove da noite meu celular tocou, era minha mãe, avisando que não voltaria naquela noite.

Bom, acho que vamos ter que dormir sozinhas hoje. Minha mãe decidiu ficar na casa da minha avó – Sabrina sorriu, e voltou sua atenção para o programa de televisão que estava acompanhando.

Dormimos, e como de costume, Sabrina começou com seus pesadelos no meio da madrugada. Levantei novamente e caminhei pra acordá-la. Ela abriu os olhos e disse que eu poderia voltar a dormir.

Sai de perto da cama e peguei o violão, meus dedos começaram a tocar aquelas cordas tão familiares, enquanto eu cantava pra ela. Em poucos segundos ela levantou e ficou me olhando sem sorrir, apenas observando.

Lentamente ela saiu da cama e sentou-se ao meu lado. Sem falar nada ela tirou o violão de meus braços e se colocou no lugar dele, fazendo seus longos cabelos loiros deslizarem por entre as minhas mãos.

Obrigada- foi a única palavra que ela falou antes de dormir.

O final das férias chegou. Meu tio e minha mãe haviam ido a procura de algo pra que ele levasse de recordação, enquanto meu primo estava na casa de um antigo amigo, e Sabrina fazia as malas em meu quarto.

Sentirei saudades – falei.

Não vai sentir nada, só atrapalhei você por todo esse tempo, nem dormir você pode.
Levantei e fui até ela, parando a poucos centímetros de seu rosto.

Logo, logo eu irei visitar você, e lhe ensinarei alguns acordes pra que você possa cantar pra mim. – antes que pudesse me afastar ela me deu um beijo doce e delicado.


Contarei cada segundo – ela falou e eu sorri.

Elevador para o Inferno

14:08

REQUISITOS


Estritamente UM jogador, apenas.
Um prédio com elevador de no mínimo 10 andares.


O PERCURSO

- Entre no prédio: entre sozinho no elevador no primeiro andar.
Não continue se houver mais alguém no elevador com você.

- Aperte o botão do quarto andar.

- Quando chegar ao quarto andar, permaneça no elevador.
Aperte o botão do segundo andar.

- Quando chegar ao segundo andar, permaneça no elevador.
Aperte o botão do sexto andar.

- Quando chegar ao sexto andar, permaneça no elevador.
Aperte o botão do segundo andar.

- Quando chegar o segundo andar, permaneça no elevador.
Aperte o botão do décimo andar.

- Quando chegar ao décimo andar, permaneça no elevador.
Aperte o botão do quinto andar.

- Quando chegar ao quinto andar,uma moça deverá entrar no elevador. NÃO OLHE PARA ELA. NÃO FALE COM ELA.
Ela não é o que parece ser.

- Aperte o botão do primeiro andar.
Se o elevador começar a subir para o décimo andar ao invés de descer para o primeiro, você deve prosseguir. Se o elevador descer para o primeiro, saia assim que a porta abrir.Não olhe para traz. Não diga nada.


O INFERNO

- Quando você chegar ao décimo andar, você deve sair do elevador. NÃO RESPONDA à mulher caso ela te pergunte aonde vc está indo.
Se você tiver entrado no submundo (inferno, como preferir) com sucesso, você será a única pessoa presente. O andar em que você chegar será quase idêntico ao nosso mundo, com a exceção de que todas as luzes estarão apagadas, e a única coisa que você verá através da janela é uma cruz vermelha.


O CAMINHO DE VOLTA

- Voltar ao seu próprio mundo pode ser mais difícil do que parece:
Roce pode ficar desorientado e esquecer em qual elevador chegou; o elevador pode parecer cada vez mais e mais longe de você conforme você anda em direção a ele. Fique alerta, e mantenha o juízo em sua cabeça.

- Você deve usar o mesmo elevador em que chegou para poder voltar.
Quando entrar no elevador, aperte os botões na mesma ordem que você apertou do passo 2 ao passo 8 da JORNADA.(tente adaptar de um jeito melhor, são os passos ali em cima) Você deverá chegar ao quinto andar.

- Quando você chegar ao quinto andar, aperte o botão do primeiro. O elevador novamente vai começar a subir ao décimo andar. Aperte um botão de qualquer andar para cancelar a subida ao décimo andar.
Voce DEVE apertar o botão que você usou para cancelar ANTES que você chegue ao décimo andar.

- Depois que você chegar ao primeiro andar, confira o ambiente cuidadosamente.
Se alguma coisa estiver fora do lugar – até mesmo um pequeno detalhe – NÃO saia do elevador. Se você perceber que algo está errado, volte a etapa anterior até tudo parecer como deveria. Bem vindo de volta ao nosso mundo.

Fonte: MedoB

Sessão Terror

11:32

Que dia lindo né gente? Hoje é o dia de pessoas anormais como eu. Pessoas que amam se assustar e sentir medo vendo aquele filme. Hoje é dia de curtir um Halloween fora de época (muito melhor que carnaval).
Em homenagem ao dia do terror e do azar, coração de leitora traz pra vocês um dia inteiro dedicado a livros, filmes, contos o todo o resto que faz sua espinha tremer. E ai tem coragem?

Pra começar ai vão os Top 10 dos filmes de terror na minha opinião.

10. A MORTE DO DEMÔNIO;


Filme trash demais. Muito louco, mas com uma história legal. Gostei mais por conta da maquiagem da guria ai que ficou muito foda.

9. ANNABELLE;


Esse ai todo mundo já conhece, porque a maioria ficou aterrorizado no cinema. Não é fantástico, mas é legalzinho. Resumindo, é aquele filme de susto.

8. FIM DOS DIAS;



Antigo demais, e ótimo do mesmo jeito. Esse filme é fantástico. Lembro de tê-lo assistido ainda criança e fiquei mega impressionada. Perfeito pra hoje, assiste ai.

7. NAVIO FANTASMA;


De longe um dos meus filmes favoritos, com um final de deixar qualquer um de queixo caído. Sem falar na trilha sonora que é maravilhosa.

6. A CASA DA COLINA;


Pra quem curte aquele terror em hospício, esse é o filme. Apaga as luzes e se prepare pra gritar.

5. OS 13 FANTASMAS;


Não vou nem comentar sobre esse. Quem assiste pode se sentir incrível, porque você é.

4. HELLRAISER


Eu duvido que você se arrisque a abrir um cubo depois de assistir esse filme. Esse clássico do terror, é capaz de te deixar acordado por semanas.

3. O CHAMADO


Sete dias!

2. O GRITO


Ai os filmes japoneses. Quase não durmo. Juro.

1. O EXORCISMO DE EMILY ROSE


Apenas um comentário, acordei as 3 da manhã depois que assisti ele.

Contos de Terror: A Fresta

15:02



Hoje, eu como amante de livros, filmes, séries e tudo o mais que seja de terror, trago a vocês um dos melhores contos de terror de já li. Se você estiver preparado apague as luzes e leia, se não desculpe, mas as luzes se apagarão sozinhas.
Autor: Arthur Dobler

''Meu pai acabara de sair do meu quarto, com certeza, por isso a fresta''.

Eu sempre a odiara, principalmente quando pequeno, -época da qual se tem uma profunda imaginação- observar aqueles poucos centímetros amedrontadores causavam-me pânico. Desviava o olhar, contava até dez, me cobria com a coberta - táticas comuns de uma criança com medo - e admito que nenhuma delas nunca fora muito efetiva. Tudo só cessava quando eu tomava coragem para me locomover pela cama e me inclinar exageradamente em direção à maçaneta, sem precisar tocar no chão, para fechá-la e por fim ao meu tormento. Eram os segundos de maior tensão e eu nunca olhava para a fresta, nunca. A ideia de que algum monstro pudesse estar me observando era, no mínimo, perturbadora.


Algumas pessoas tem medo de escuro e isso é plausível, com a ausência da luz, é difícil ter total segurança do que te cerca ou “o que são” as formas que antes eram facilmente reconhecíveis. Um amontoado de camisas em uma cadeira, por exemplo, pode virar um aterrorizante fantasma que está apenas esperando o breve momento de você pegar no sono; Um violão recostado na parede pode se tornar uma criatura negra que espreita a distância ouvindo sua respiração; até mesmo bichos de pelúcias podem ser assustadores quando se está no escuro... Reflexos em um espelho então? Nem se fala.

Mas a questão é: Tudo isso tem um limite de tempo para te causar angustia, desconforto e apreensão. As coisas submersas na penumbra podem, após algum tempo, começar a perder a sua áurea macabra. Sua visão se acostuma, seus olhos se habituam, e logo o ar nostálgico das coisas que cobrem o seu quarto volta a pairar, “Não há nada aqui” você conclui. Até mesmo a completa escuridão pode ser tranquilamente ignorada se ruídos não identificáveis forem inexistentes. Há quem não pegue no sono sem estar envolvido nas trevas. Porém o problema está nas frestas, é evidente que sim, não há como se acostumar a isso, nunca haverá.

Pois a fresta é como uma pequena passagem para o inferno. Você começa a se indagar do que realmente está ou não vendo, porque através dela não existem comprovações visuais. Você apenas enxerga um amontoado de cores intercaladas, como pixels em uma tela, uma pequena e estreita faixa, a faixa que cobre seu lado são. Pode ser que seja um olho, ou uma cabeça, às vezes um corpo inteiro, porque não só um vulto? No meio da fresta, entre um cômodo e outro, alguém pode estar espiando você.

Se a porta estivesse fechada, você poderia muito bem se assustar com sons provenientes da sala, mas jamais imaginaria nada olhando para uma porta de madeira talhada a mão, de laterais robustas com uma maçaneta reluzente a descansar. Se estivesse escancarada, você teria maior controle dos barulhos em sua casa, e apesar de imaginar coisas ao ver os objetos que ficam em frente ao seu quarto, pelo menos teria uma melhor percepção de tamanho e distância dos mesmos. Porém a fresta é um ponto cego entre uma porta aberta e uma porta fechada. É a certeza da incerteza, é o incentivo a loucura e “eu sempre a odiara”, pensei.

Ideias vagas como essas surgiram em minha mente quando, após anos sem me lembrar desse pequeno trauma, me deparo com uma porta levemente aberta no meu quarto. Desde que eu me mudara de casa, estivera ocupado demais para me preocupar com coisas ordinárias como uma fresta. Entretanto nessa madrugada sem saber ao certo o motivo, tudo isso me veio à tona, como um soco no estômago. Fiquei alguns segundos encarando aquele feixe, podia jurar que havia alguma coisa ali, mas precisava ter certeza, por isso peguei meus óculos na cabeceira para enxergar com mais nitidez. Quando o coloquei, vi que a imagem que impregnou em minha mente não passava de um grande e velho cabide, que ficava no meio do corredor entre uma divisória que dava em direção ao banheiro e a sala de estar.

Caí na cama, por um segundo meu coração quase saíra pela boca. Senti a sensação ruim de muito tempo atrás, um forte ar que corre desesperado pelo meu corpo como se rasgasse meu peito, acho que é isso que chamam de adrenalina. Preparava para me deitar quando ela –a porta - delicadamente rangeu para dentro, era como se a maldita me provocasse. Fiquei em estado de alerta, suspirei ofegante, senti uma brisa fraca passar pelo quarto. De onde vinha? Não me interessava no momento.

“Eu sou um adulto, devo agir como tal” coloquei isso em minha cabeça, levantei rapidamente, me dirigi em passos largos para aquele retângulo maldito que desenterrara algo do qual não fazia questão de me lembrar. Fechei-a com tal intensidade, que o eco emitido ressoou por toda a casa, “era o fim”. Olhei para o chão, senti uma vertigem, fui pego de surpresa. Minha vista rapidamente embaraçou e durante esses segundos eu me lembrei de como meu pai tratava minha fobia com descaso, da forma como ele dizia que eu estava sendo irracional, e de sua patética reação - severamente incompreensível-, deixando a porta entreaberta de propósito quando saía. Uma espécie de tratamento de choque.

Não se faz uma criança aprender a nadar jogando a mesma em uma piscina, assim como não se cura o medo de alguém, fazendo-o confrontá-lo de forma tão direta. E depois desse breve momento de lembranças o que eu senti fora vontade de voltar a dormir e esquecer tudo isso. Quando me virei para cama, ouvi algo afiado rangendo do outro lado... A minha espinha gelou, os meus ombros endureceram e meu corpo agiu instintivamente indo em direção à fechadura. Enquanto olhava, permaneci em total silêncio para confirmar se o que se passara fora mesmo real. Nada, nenhum barulho.

Corri e me atirei no colchão, eu sempre tive uma imaginação forte, mas isso era demais. Encarava o teto, tentando pensar no inexplicável. E como em uma epifania, eu lembrei o “porque”. Mas eu não o fiz por querer, juro, ele me provocava e sempre o fizera. Eu não podia mais aguentar aquela tortura sem fim, ele nunca fora um bom pai, e nunca mais será, porque eu dei um fim nele antes que ele fizesse o mesmo comigo. Eu não sou louco, era ele que deixava a fresta aberta, era ele que me deixava olhando para ela, era ele, não eu. Por isso eu me mudei, - não fora de bom grado - eu fora expulso, mamãe não queria ver minha cara, é por isso que eu estou aqui. Ele disse antes de "partir" que iria me buscar, e agora... Eu finalmente entendo.

Enquanto concluía o óbvio, a luz ligou sozinha e começou a piscar freneticamente, o ventilador começou a girar, e foi para a velocidade três em poucos segundos. O quarto parecia rodar, os móveis balançavam e as sombras dos objetos foram se sobrepondo e criando gigantescos vultos nas paredes, eles me espreitavam, todos eles. "Eu não queria ir, eu não quero ir, eu não vou". Então eu me escondi na coberta, fechei os olhos e contei até dez.

Foi quando todas as portas e janelas se abriram bruscamente e depois se fecharam simultaneamente, a lâmpada explodiu e um último rangido de unhas rasgando a porta fora ouvido. Eu fiquei alguns minutos sem reação, esperando minha respiração normalizar, e meus olhos se acostumarem à velha escuridão. Decidi descobrir-me para dar uma última espiada. Tudo voltara ao normal: Os móveis, o ventilador, a porta e a Fresta. Encolhi-me embaixo do edredom enquanto colocava na cabeça: "Meu pai acabara de sair do meu quarto, com certeza fora isso, por isso a fresta". 

Fonte: OMedoB

Contos de J.K Rowling - O Riddle Secreto

10:25


Tom Riddle conheceu o professor Dumbledore pela primeira vez quando era criança, em um orfanato de Londres, quando Dumbledore ofereceu a ele um lugar em Hogwarts. A Sra. Cole, matriarca do orfanato, revela que Tom nasceu no orfanato, e que sua mãe, Merope Gaunt, morreu logo depois. Tom recebeu o nome do pai, Tom Riddle e do avô, Marvolo Gaunt. De acordo com a Sra. Cole, Tom assustava as outras crianças do orfanato e muitos acontecimentos desagradáveis eram atribuídos a ele; o coelho de Billy Stubbs foi encontrado enforcado nas vigas no dia seguinte em que ele e Tom discutiram e Amy Benson e Dennis Bishop tiveram um estranho conflito com ele em uma excursão de verão, e nunca mais foram os mesmos.
Aos onze, Tom é uma miniatura do seu belo pai; alto para a sua idade, de cabelos escuros e pálido. Ele está sentado na cama em seu quarto quando Dumbledore entra com a Sra. Cole. Inicialmente cuidadoso com o professor, Tom desconfia que ele é, na verdade, um médico. Ele ordena Dumbledore lhe contar a verdade, dizendo isso com uma força sonora que é quase chocante. Ele acredita que Dumbledore está falando para ele viver em um hospício, e furiosamente protesta que ele não é louco. Tom congela quando Dumbledore explica que Hogwarts é uma escola de magia, e explode de animação quando percebe que é um bruxo. Ele diz para Dumbledore que consegue fazer coisas se moverem sem que toque nelas, consegue fazer animais fazerem o que ele quer sem nenhum treinamento, e que consegue machucar as pessoas. Ele afirma que sempre soube que era especial, e se transforma com uma felicidade selvagem, um sorriso quase bruto.
Tom diz para Dumbledore provar que também é um bruxo. Ele fica chocado e urra de raiva quando Dumbledore aponta sua varinha para o armário dele, fazendo-o pegar fogo. Ele olha para o professor quando as chamas desaparecem e o armário permanece intocado mais uma vez. Tom está assustado quando um ruído é ouvido vindo do armário, e relutante, retira uma pequena caixa de cartões de dentro dele, que está chacoalhando e fazendo ruídos com força. Ele despeja o conteúdo da caixa sobre a cama a pedido de Dumbledore, revelando uma mistura de objetos, incluindo um ioiô, um dedal de prata e uma gaita manchada. Ele é obrigado por Dumbledore a devolver os objetos aos seus respectivos donos e concorda em fazê-lo, olhando de forma fria e avaliadora para o professor.
Tom é informado de um fundo em Hogwarts para ajudar aqueles que precisavam de ajuda para comprar livros de feitiços e vestimentas. Ele está ansioso para visitar o Beco Diagonal por conta própria, relutante em ter a escolta de Dumbledore; ele está segurando um envelope contendo a sua lista de materiais necessários e lhe dá as instruções para o Caldeirão Furado. Riddle estremece quando Dumbledore menciona que o barman do pub compartilha seu nome, Tom, odiando a ideia de ter um nome tão comum. Como ele e Dumbledore apertaram as mãos, Tom revela que ele pode falar com as cobras, e que essas criaturas freqüentemente o encontram e sussurram para ele quando está em viagens nacionais.

Tradução por Marina Meireles


Contos de J.K Rowling | Dumbledore e Harry Visitam as Memórias Através da Penseira

09:45



Dumbledore e Harry usam a Penseira no escritório do diretor para visitar sua memória de qunando conheceu Tom Riddle pela primeira vez. Eles seguem um Dumbledore jovem de cabelos ruivos, abaixo de uma movimentada e antiquada rua de Londres para um orfanato de aparência sombria e observam pela sua interação com Sra. Cole, a matriarca do orfanato e com o Tom Riddle de onze anos.
Na memória, Dumbledore é questionado suspeitosamente pela Sra. Cole sobre Hogwarts e seus planos para Tom Riddle. Após ser questionado sobre a escola e sobre como Riddle foi registrado, Dumbledore desliza sua varinha para fora do bolso e entrega um pedaço de papel em branco para Sra. Cole, acenando sua varinha sucessivamente, como de costume. O feitiço que ele lança faz com que os questionamentos da Sra Cole cessem. Dumbledore pergunta sobre Tom Riddle e sobre os pais do garoto. Ele está interessado na versão dela de Tom, ouvindo solenemente quando ela menciona o incidente com o coelho de Billy Stubb, que foi encontrado enforcado nas vigas depois que os garotos tinham discutido. Ele relembra a Sra Cole que Tom precisará retornar ao orfanato pelo menos todo verão.
Dumbledore é levado para o quarto de Tom no orfanato e se apresenta pessoalmente ao garoto. Ele informa a Tom que é um professor de Hogwarts e que lhe foi oferecido um lugar na escola, e que é uma escola de magia. Ele observa cuidadosamente a reação de Tom. Quando Riddle ordena que ele prove que é um bruxo, Dumbledore repreende sua grosseria e prontamente coloca o guarda-roupa em chamas com um leve movimento de sua varinha. Ele termina o feitiço momentos depois, deixando o guarda-roupa intacto. Quando um barulho de chocalho vem de dentro do armário, Dumbledore pede a Riddle para remover a pequena caixa de cartões da prateleira de cima, e pergunta se tem algo nela que não deveria estar ali. Quando o garoto revela os itens roubados na caixa, Dumbledore severamente diz a ele que roubar não é tolerado em Hogwarts e que para entrar no mundo dos bruxos, ele teria de concordar em seguir as suas regras. Ele dá dinheiro a Tom para o seu material escolar, mencionando que os fundos de Hogwarts são para estudantes que precisam de ajuda e surpreendentemente concorda com a sugestão de Tom de deixá-lo visitar o Beco Diagonal sozinho, dando-lhe as direções para o Caldeirão Furado e a Plataforma 9 e ¾ . Dumbledore aperta a mão de Tom, hesitando momentaneamente quando o garoto revela que é ofidioglota, e deixa o quarto.

Quando as memórias acabam, Dumbledore e Harry retornam ao escritório do diretor e falam sobre o encontro.  



Tradução por Marina Meireles

Contos de J.K Rowling | Celestina Warbeck

09:18

A sensação musical internacionalmente aclamada Celestina Warbeck (também conhecida como 'A Cantora Feiticeira') vem de Gales. Seu pai, um funcionário da Seção de Ligação com os Trouxas, conheceu sua mãe trouxa (uma atriz falida) quando esta foi atacada por uma Mortalha-Viva disfarçado como uma cortina de palco.

A extraordinária voz de Celestina era evidente desde cedo. Decepcionada ao saber que não havia nada como um palco para apresentações na escola de magia, a senhora Warbeck relutantemente consentiu com a inscrição de sua filha em Hogwarts, mas posteriormente bombardeou a escola com cartas que incitavam a criação de um coral, um clube de teatro e aulas de dança para poder mostrar os talentos da filha.

Aparecendo com frequência em um coro de apoio a Banshees, os concertos de Celestina se tornaram justamente famosos. Três fãs devotados estiveram envolvidos em um desagradável acidente em que três vassouras engavetaram sobre o Liverpool enquanto estes tentavam chegar à última noite dela em sua turnê, "Flighty Aphrodite". Seus ingressos aparecem frequentemente no mercado negro a preços muito inflacionados (uma das razões pela qual Molly Weasley nunca viu sua cantora favorita ao vivo).

Celestina tem, por vezes, emprestado seu nome e talento para boas causas, como a angariação de fundos ao Hospital St. Mungo's para Doenças e Acidentes Mágicos com a gravação do hino do Puddlemee United "Beat Black Thoses Bludgers, Boys, and Chuck That Quaffle Here". Mais controversamente, Celestina também usou sua voz em prol de sua discordância contra o Ministério da Magia quando este tentou impor restrições sobre a forma como a comunidade bruxa foi autorizada a comemorar o Halloween.

Algumas das músicas mais conhecidas de Celestina incluem "Heart Right Out of me" e "A Cauldron Full of Hot, Strong Love". Seus fãs são pessoas geralmente mais velhas, que gostam de seu estilo arrogante e de sua voz poderosa. O álbum "You Stole My Cauldron but You Can't Have My Heart", lançado no final do século 20, foi um enorme sucesso mundial.

A vida pessoal de Celestina tem fornecido muita forragem para colunas de fofocas do Profeta Diário. Um casamento precoce com um dançarino de apoio durou apenas um ano; Celestina então se casou com seu empresário, com quem teve um filho, e então o deixou e entrou num relacionamento com o compositor Irving Warble dez anos depois.

Tradução: Sobre Sagas


 
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