
Todo dia sou uma pessoa diferente. Eu sou eu, sei que sou eu, mas também sou outra pessoa.
Um dos livros que estava a bastante tempo na minha lista de
desejados e de “eu preciso ler pra ontem” era esse. David Levithan surgiu um
pouco por conta de John Green, mas depois que você o desvincula disso, descobre
que ele é tão bom quanto John, se não melhor.
Levithan já lançou inúmeras obras e eu já tive o prazer de
ler praticamente todas elas e nunca, nem por um segundo ele me decepcionou com
aquele jogo de amor adolescente que convenhamos, já é bem ultrapassado. Claro
que ele fala de amor, mas é sempre de uma forma tão peculiar que você sempre
está ansioso pelo próximo livro.
O passado não me ofusca, nem o futuro me motiva. Concentro-me no presente, porque é nele que estou destinado a viver.
Com “Todo Dia” não foi nada diferente, Levithan traz para
seus leitores a história de A, um ser que muda de corpo todos os dias. Ou seja
você não sabe se é um garoto ou uma garota, só sabe que ele existe e que rouba a
vida de alguém durante um dia e não consegue controlar em quem vai ficar, e
isso faz todos os seus dias se tornarem uma surpresa.
Em uma dessas suas hospedagens ele entra no corpo de Justin,
um adolescente extremamente machista e grosseiro que trata sua namorada como um
objeto. Acontece que A não é assim e decide fazer daquele dia um dia memorável
pra ela, por mais que ele não vá está ali
no dia seguinte. No decorrer do dia ele começa a achar aquilo
maravilhoso, mesmo tendo consciência que não vai durar mais que aquele único
dia.
Na minha experiência, desejo é desejo, amor é amor. Nunca me apaixonei por um gênero. Apaixonei-me por indivíduos. Sei que é difícil as pessoas fazerem isso, mas não entendo por que é tão complicado, quando é tão óbvio.
O dia acaba e mesmo em outro corpo, A não consegue parar de
pensar nela, e assim começa sua eterna batalha em conquistar Rhiannon todos os
dias em corpos diferentes, torcendo pra que ela entenda e principalmente
aceite.
Todo dia trata profundamente da aparência interior e como é
difícil que alguém te enxergue por isso.
Quando Rhiannon o reconhece em meio a multidão apenas pela forma como
ele a olha é maravilhoso, você sente a felicidade dele dentro de você e isso é
incrível.
— Como sabia que era eu? — preciso perguntar. — Pelo modo como olhou para mim — diz ela. — Não teria como ser outra pessoa.
Com A habitamos corpos destruídos pelas drogas, pela comida,
pela vida. Começamos a enxergar o mundo de tantas perspectivas diferentes que
no final ficamos com um pouco de A dentro de nós, e ficamos imaginando se ele
não está realmente ali, por apenas um dia.
Levithan mais uma vez deixou sua marca na minha trajetória como
leitora, e se você ainda não ouviu falar da obra ainda dá tempo de conhecer
essa história incrível e se apaixonar por A, aquele que pode ser uma garota ou
um garoto, isso só vai depender do dia.
Um dos cartazes dos manifestantes chama minha atenção. Está escrito: “HOMOSSEXUALISMO É OBRA DO DIABO.” E, mais uma vez, penso em como as pessoas usam o diabo para dar nome às coisas que temem.





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