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Resenha | Todo Dia - David Levithan

13:38
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Todo dia sou uma pessoa diferente. Eu sou eu, sei que sou eu, mas também sou outra pessoa. 

Um dos livros que estava a bastante tempo na minha lista de desejados e de “eu preciso ler pra ontem” era esse. David Levithan surgiu um pouco por conta de John Green, mas depois que você o desvincula disso, descobre que ele é tão bom quanto John, se não melhor.

Levithan já lançou inúmeras obras e eu já tive o prazer de ler praticamente todas elas e nunca, nem por um segundo ele me decepcionou com aquele jogo de amor adolescente que convenhamos, já é bem ultrapassado. Claro que ele fala de amor, mas é sempre de uma forma tão peculiar que você sempre está ansioso pelo próximo livro.

O passado não me ofusca, nem o futuro me motiva. Concentro-me no presente, porque é nele que estou destinado a viver. 

Com “Todo Dia” não foi nada diferente, Levithan traz para seus leitores a história de A, um ser que muda de corpo todos os dias. Ou seja você não sabe se é um garoto ou uma garota, só sabe que ele existe e que rouba a vida de alguém durante um dia e não consegue controlar em quem vai ficar, e isso faz todos os seus dias se tornarem uma surpresa.

Em uma dessas suas hospedagens ele entra no corpo de Justin, um adolescente extremamente machista e grosseiro que trata sua namorada como um objeto. Acontece que A não é assim e decide fazer daquele dia um dia memorável pra ela, por mais que ele não vá está ali  no dia seguinte. No decorrer do dia ele começa a achar aquilo maravilhoso, mesmo tendo consciência que não vai durar mais que aquele único dia.


Na minha experiência, desejo é desejo, amor é amor. Nunca me apaixonei por um gênero. Apaixonei-me por indivíduos. Sei que é difícil as pessoas fazerem isso, mas não entendo por que é tão complicado, quando é tão óbvio.

O dia acaba e mesmo em outro corpo, A não consegue parar de pensar nela, e assim começa sua eterna batalha em conquistar Rhiannon todos os dias em corpos diferentes, torcendo pra que ela entenda e principalmente aceite.

Todo dia trata profundamente da aparência interior e como é difícil que alguém te enxergue por isso.  Quando Rhiannon o reconhece em meio a multidão apenas pela forma como ele a olha é maravilhoso, você sente a felicidade dele dentro de você e isso é incrível.

— Como sabia que era eu? — preciso perguntar. — Pelo modo como olhou para mim — diz ela. — Não teria como ser outra pessoa.

Com A habitamos corpos destruídos pelas drogas, pela comida, pela vida. Começamos a enxergar o mundo de tantas perspectivas diferentes que no final ficamos com um pouco de A dentro de nós, e ficamos imaginando se ele não está realmente ali, por apenas um dia.


Levithan mais uma vez deixou sua marca na minha trajetória como leitora, e se você ainda não ouviu falar da obra ainda dá tempo de conhecer essa história incrível e se apaixonar por A, aquele que pode ser uma garota ou um garoto, isso só vai depender do dia.

Um dos cartazes dos manifestantes chama minha atenção. Está escrito: “HOMOSSEXUALISMO É OBRA DO DIABO.” E, mais uma vez, penso em como as pessoas usam o diabo para dar nome às coisas que temem.

Resenha | Dois Garotos Se Beijando - David Levithan

12:55
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Nossos beijos eram sísmicos. Quando vistos pela pessoa errada, podiam nos destruir. Quando compartilhados com a pessoa certa, tinham o poder da confirmação, a força do destino.

David Levithan é um dos autores que ficou conhecido por suas parcerias com outros autores, mas que se mostrou bom demais pra precisar que seu nome fosse carregado com os de outros. Em Dois Garotos se Beijando, Levithan usa toda sua sensibilidade para mostrar a vida de vários personagens, mas o incrível é que ele consegue nos deixar apaixonados por cada um deles.

Um título gera repulsa e curiosidade depende de quem o pegar para ler. Mas o incrível da história é que esse título guarda uma das melhores histórias que já li em toda minha vida. Levithan é gênio no que se decide a fazer, e essa é provavelmente uma das suas melhores obras.

Descoberta, aceitação, preconceito, sociedade, política e a tão temida AIDS, são assuntos abordados no livro de uma forma direta, não dura ou ofensiva, mas como se um anjo nos contasse tudo àquilo pelos olhos dele. E é isso que parece, ao menos eu vi o narrador como um anjo que já passou por tudo aquilo e que agora apenas observa a evolução do mundo.

O silêncio é igual à morte, nós dizíamos. E por baixo disso havia a suposição, o medo de que a morte fosse igual ao silêncio.

Cooper é solitário e adora inventar personagens para bater papo em sites de relacionamento na internet, mas ele nunca puxa papo com alguém, o importante é ser desejado. Certa vez ele dormiu ali mesmo, em frente ao computador e no dia seguinte seu pai entra no quarto e lê as conversas da noite passada. Entre socos e ofensas Cooper acaba saindo de casa.

Neil e Peter formam um casal que já está junto a mais de um ano, a intimidade que existe entre eles é invejável, e eles formam aquele núcleo que mostra o simples. A família dos dois sabe quem eles são, a diferença é que a família de Peter o ama imensamente, e a Neil esconde a verdade sobre  filho.

Tariq sabe quem ele é e se orgulha disso, até a noite em que ele sai de uma festa e é agredido por vários outros garotos. Os hematomas, as costelas quebradas sumiram com o passar do tempo, mas por dentro Tariq mudou, e aquela ferida nunca sumiria.

Como você pode não ter esperança quando o mundo, por um instante, brilha em tom dourado?

Avery é transexual, cresceu sabendo que era diferente, e pra sorte dele seus pais sempre o apoiaram e procuraram os melhores médicos para que ele pudesse começar as mudanças, seu cabelo é rosa, e em um baile gay ele conhece Ryan, um garoto de cabelo azul. Logo eles percebem que algo bom está acontecendo ali, mas Avery tem medo do que a verdade possa fazer com Ryan.

Craig não é aceito por sua família, mas na verdade eles nem sabem, até que ele decide fazer uma manifestação junto ao seu amigo e ex-namorado Harry. Diferente de Craig, a família de Harry o aceita, e inclusive apóiam a manifestação dos dois. Mas essa manifestação vai mudar a vida de muitas pessoas, principalmente a de Craig.

Um livro que é muito mais que o próprio título. Que conta não apenas a história da nossa geração, mas da geração que anos atrás foi tratada como lixo e desconsiderada pela sociedade.

Se em algum momento da sua vida você ficou em dúvida entre ler ou não este livro, apenas uma resposta é necessária. Da próxima vez que você visitar uma livraria lembre-se de pedir por esse livro, e quando chegar em casa para lê-lo tire de sua mente tudo que você acha sobre ele. Todas as expectativas, tudo sobre a premissa, simplesmente esqueça.

Abra o livro e o encare com os olhos de um desconhecido, e sinta as palavras de Levithan entrarem dentro de você como uma pena, para te fazer sentir emoções dignas de um furacão.


Todas as vezes que dois garotos se beijam, o mundo se abre um pouco mais. Seu mundo. O mundo que deixamos. O mundo que deixamos para vocês.



Resenha: Will & Will - John Green; David Levithan

11:31
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Eu sempre fui mega curiosa em relação a esse livro, nem sei explicar o porque, eu apenas queria saber sobre o que se tratava e se seria bom. Até porque existem livros escritos pelo João Verde que eu não curti muito. Mas esse tem o David Levithan, então achei que seria uma coisa bacana os dois juntos.

"Quando as coisas se quebram, não é o ato de quebrar em si que impede que elas se refaçam, é poque um pedacinho de perde..."

O livro falar logicamente de dois garotos chamados Will Grayson. Um deles segue duas regras, que não o deixam se importar com nada, e se manter de boca fechada. Já o outro Will é depressivo. Em determinado momento os dois se cruzam em uma noite não muito boa pra ambos. O Will depressivo conhece o amigo do outro Will que se chama Tiny (o personagem mais fofo do livro), e Tiny tenta melhorar a noite daquele Will. Já o outro finalmente tenta dar uma chance a seu coração indo falar com Jane (a gora que ele quer e não quer). Voltando ao Tiny, ele o personagem mais lindo que já vi, todo desengonçado que parece eternamente feliz, mas que no fundo vive pra levar felicidade aos outros, isso é o que o torna tão perfeito, e tão mais importante que os dois Will no livro inteiro.

"Estar em um relacionamento, isso é algo que você escolhe. Ser amigo, isso é simplesmente algo que você é."

O que mais achei de interessante nesse livro foi a montanha de conhecimento que ele traz pra gente. Abordar depressão não é fácil, e eu amei a forma como ela é colocada na história. Todas as pessoas que não sabem o que um depressivo sente, consegue entender ao menos um pouco da eterna tristeza na qual eles vivem. 

"Talvez haja alguma coisa que vocês tenham medo de dizer, ou alguém que vocês temam amar, ou algum lugar aonde têm medo de ir. vai doer. vai doer porque é importante."

Além disso existe aquilo de você aprender que não abrir a caixa é covardia, e quem sempre mesmo que você tenha medo, é preciso saber se o gato está vivo ou morto (leia o livro pra entender haha), e apesar de tudo você precisa se importar. E pra terminar, eu não me chamo Will Grayson, mas eu te aprecio Tiny Cooper.
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Lançamento: Dois Garotos se Beijando

14:23
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A Galera Record divulgou no último dia 29 de janeiro, a capa do novo romance de David Levithan. E foi uma bagunça. Era gente falando que a capa era um lixo, que a americana é muito melhor e por ai foram milhares de comentários. Mas até ai tudo bem, tudo tranquilo.
O pior na minha humilde opinião foi colocarem "autor de Will & Will com John Green". Okay, mas e dai? David Levithan não precisa se promover com através do nome de John Green, o cara já tem a identidade dele, isso desvalorizou ele e me deixou puta.
Continuando, decidi continuar lendo os comentários super instrutivos que acabam com qualquer sanidade mental. Sim, estou falando do preconceito que claro tinha que rolar, porque se não rolasse não era Brasil, era algo melhor.
Quem acompanha lançamentos e que curte o David sabe que ele já publicou livros como "Garoto encontra Garoto", e o tão famoso "Will & Will", e ainda assim as pessoas ficam destruindo a obra por ser algo da comunidade LGBT. oremos.
Se você vive em 1950 tudo bem eu até entendo você e esse seu preconceito ridículo, mas se você é da minha geração, e continua pensando como uma pessoa nascida em 1840, você precisa se tratar porque seu problema é complicado.
Vou comprar sim, vou ler sim, vou resenhar sim, Se você não gosta problema seu, se esconda nessa sua tão protegida redoma, e continue fingindo que isso não existe, e que sua opinião é a certa e todo gay deve morrer. Parabéns por esse seu pensamento medíocre, e que você aprenda a ser um verdadeiro leitor, porque se você não sabe pra absorver algo você precisa ter uma mente completamente aberta.
Então esse foi meu desabafo, espero que vocês concordem e se não concordarem problema né? Vai entender. 

 
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