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Angel's Journal | Perguntas

09:24

- Dor?
- O que essa palavra representa pra você?
- A partida de alguém que amo?
- Poderíamos chamar isso de saudade, não seria melhor?
- Não. Porque quando alguém se vai eu sinto dor.
- Tudo bem. Mas porque não podemos transfomar isso em saudade?
- Porque saudade? Existe algum problema em sentir apenas a dor?
- Não. Mas...
- E a solidão?
- O que tem a solidão?
- O que ela siginifica?
- Diga-me você.
- Porque você não me responde?
- Não sei definir solidão.
- Como não sabe? Nunca se sentiu só?
- Claro.
- Então porque não a define pra mim?
- Quando não tenho ninguém ao meu lado, é quando me sinto sozinho.
- Não perguntei quando se sente sozinho. Quero saber o que é solidão pra você.
- Não ter ninguém comigo.
- E se a pessoa que você ama vai embora? Você não se sente só?
- Também.
- Então você acha que podem existir duas formas de solidão?
- É o mesmo sentimento.
- Com sensações diferentes?
- Quando você se sente só?
- Responda.
- Creio que sim.
- Okay.
- Então, quando você se sente só?
- Ultimamente? Sempre.
- Mas não existem pessoas a sua volta?
- Pessoas? Como você?
- Isso.
- Existem.
- E de onde vem toda essa solidão?
- Não sei, talvez ela tenha assumido o lugar do meu amor.
- Mas você precisa tentar.
- Não preciso de nada.
- Mas...
- Quer saber, o tempo acabou e eu preciso ir.
- Mas ainda faltam vinte minutos.
- Na verdade o tempo acabou a muito tempo, e você não se deu conta

Angel's Journal | Deserto

20:09

A solidão havia tomado todas as minha emoções, minha companhia se tornou a areia que abrigava meu corpo e o vento que se apiedava de minha alma e vinha acariciar meu rosto nos dias mais quentes. Aquele deserto era a materialização do que se passava dentro de mim, e agora eu morava nele.

Muitos dias se passara até que durante um momento de fraqueza, onde eu queria que tudo apenas acabasse, a voz dela surgiu em minha mente. Ela não pedia pra eu ser forte ou para me manter de pé enquanto eu estivesse ali, ela apenas sussurrou baixinho em meu ouvido "Eu estou aqui".

No mesmo momento lágrimas que já haviam banhado meu rosto inúmeras vezes desde que fui deixada ali, começaram a deslizar pelo rosto, e um pequeno sorriso se formou no rosto, mas a dor de sorrir impediu que eu o mantivesse em meu rosto.

Naquela noite ao fechar os olhos sonhei com aquele abraço, com as palavras que sempre me traziam paz quando eu corria em meio a um furacão. Eu sabia que aquilo não era real, não poderia ser, mas de alguma forma meu coração decidira que era hora de relembrar tais momentos.

Ao amanhecer eu caminhei pelo infinito do deserto que me acolheu, mas minha mente e meu coração repousavam em um pequeno sofá que ficava de frente a lareira. Fui muito feliz naquele lugar, eu lembrava. Foram os momentos onde o sorriso morava em meu rosto, e a felicidade era o sinônimo de vida pra mim.

Músicas começaram a surgir em minha mente e quando senti minha garganta vibrar em meio aquelas palavras eu percebi que era possível voltar, e novamente eu escutei "Eu estou aqui". Meus joelhos cederam, e as lágrimas vieram com mais força dessa vez, fazendo meu corpo vibrar enquanto eu sentia toda a dor se esvaindo. Tudo que deixava meu corpo fraco foi levado pelas lágrimas e carregado pelo vento.

Abri meus olhos, e todas aquelas luzes me deixaram confusa por um tempo, quando enfim pude olhar para o lado eu vi que aquela voz realmente estava ali, o tempo todo me lembrando de que nunca sairia do meu lado, e permaneceria ali mesmo que eu gritasse pra ela ir embora.

O sorriso dessa vez não machucou meu rosto, na verdade ele havia encontrado o lugar onde realmente pertencia. Enquanto os lábios daquela voz repousavam em minha testa, e as lágrimas que lavavam meu rosto não eram mais minhas.

O deserto deixou de ser minha morada e o aconchego daqueles braços me lembraram que nunca estive sozinha. As músicas começaram a soar mais alto, as cores retornaram aos meus olhos, e a felicidade aos poucos pediu licença para retomar o seu lugar em minha vida.

Conto | Acorde de Uma Canção

14:59

Querida acorde. Daqui a pouco as visitas irão chegar e você precisa estar pronta.

Visitas? – minha voz parecia estar saindo de um túnel.

Imaginei que você tivesse esquecido – minha mãe falou com um tom de voz triste e depois sentou na beirada da cama – Seu tio está vindo nos visitar, e ele vai trazer seu primo. Lembra?

Claro que lembro meu tio e meu único primo. Meu primo que sempre foi insuportável, com suas brincadeiras ridículas sobre como seria maravilhoso se nos tornássemos namorados. Ridículo.

Lembro mãe. Já vou levantar tudo bem? A senhora já pode ir. – falei e dei as costas pra ela. Eu sabia que se fizesse aquilo continuaria dormindo por horas, mas ela não pareceu se importar.

Abri os olhos e a noite já havia chegado. Minha mãe não iria me matar com as visitas em casa, mas assim que possível ela cometeria um pequeno crime com sua filha adorada.

Você acordou. – a voz era doce, mas ainda assim fiquei assustada.

Mais que merda. – uma garota que aparentava ter minha idade estava sentada no chão com uma pilha de papéis nas pernas – Quem é você?

Bom, eu sou amiga do Clark. Não tinha para onde ir nas férias, e seu tio acabou me convidando pra vir com eles.

E porque diabos você está no meu quarto? – levantei e comecei a vestir alguma roupa.

Sua mãe falou que eu poderia dormir com você enquanto seus tios estão aqui. – ela levantou e veio em minha direção, seus olhos eram incrivelmente azuis. – Meu nome é Sabrina, prazer. – o sorriso estampava aquele rosto branco, quase transparente.

Sai sem cumprimentá-la de volta e bati a porta do quarto. Pensei que minha mãe fosse me matar depois, mas pelo que percebi o meu assassinato começou bem antes.

Corri até a cozinha e encontrei minha mãe conversando alegremente com nossos convidados. Fui até o lado da minha mãe, me aproximando o suficiente de seu ouvido pra que apenas ela escutasse.

Eu quero aquela garota fora do meu quarto, agora.
Ela me ignorou e olhou diretamente pra meu tio que estava do outro lado da mesa.

Então Raphael – ela falou olhando pra ele e depois desviando o olhar pra mim – já lhe contei que Sara foi escolhida como a melhor musicista da escola?

Não, você não havia me falado. – meu tio tinha o ar cansado de tantos anos trabalhando dentro de um caminhão – Parabéns garota, nós sempre soubemos que você nos daria muito orgulho.

Não gostava de começar nenhum tipo discussão, nunca. Mas, se era assim que ela queria. Eu teria que lhe dar com outra pessoa invadindo um lugar privado. Não sou uma filha rebelde, nunca fui, mas o fato de eu imaginar que tem outra pessoa no meu quarto já me deixa desconfortável.

Sai da cozinha com um sorriso amarelo do meu tio, e um olhar ameaçador da minha mãe. Não estava com fome e voltei direto para o meu quarto.

O que você está fazendo ai? – perguntei, minha colega de quarto estava debruçada sobre meu violão.

Tocando. Quer dizer, tentando tocar algo. Você me ajuda?

Tudo bem estava começando a gostar daquela garota. Nada me deixa mais feliz que alguém compartilhando do mesmo amor que eu. A música.

Bom, eu até queria te ajudar com algo, mas eu não tenho como posso dizer? Não tenho o dom de ensinar as pessoas. – me joguei na cama enquanto ela continuava me encarando, sentada do chão e com o violão sobre as pernas. – Aprendi sozinha, então não sei como ensinar outras pessoas.

Então ta bem. – seu olhar ficou triste – acho que vou voltar pra sala e ficar com seu primo, você o viu quando foi à cozinha?

Na verdade eu nem reparei.

Ela levantou e me entregou o violão, deu um sorriso de lado e saiu do quarto tão silenciosamente quanto entrou.

Comecei a dedilhar uma canção qualquer, meus ouvidos se inundando com aquele bater de cordas, e meu coração acompanhando o ritmo. Deitei e fiquei encarando o teto com o violão sob minha barriga. Meus dedos deslizavam por entre as cordas, e minha voz começou a se sobrepor ao dedilhar.

E ai Sara tudo tranqüilo? – era a voz do meu primo. Nem me dei ao trabalho de abrir os olhos – Que isso? Não vai falar comigo?

Não. E na verdade sua amiga está procurando você. Sabrina, certo? Acho bom você encontrá-la, ou ela pode se perder nesse palacete.

Quando Sabrina retornou ao quarto, eu estava levantando da cama pra guardar o violão, e só então percebi que passei mais de três horas tocando.

Toca pra mim – ela pediu com aquele sorriso que parecia nunca sair do seu rosto. Incrível, eu nunca havia conhecido alguém assim.

O que? – a vergonha se expressou em meu rosto – Não, eu, an...não toco pra ninguém. – como fui ridícula.

Por favor? – o sorriso sumiu, e seu rosto assumiu um olhar de criança quando precisa convencer um adulto a lhe dar algo.

É melhor não. Desculpe. Acho melhor irmos dormir.

Mas você acabou de acordar. Porque não vemos um filme?

Ok, se isso fizer você parar de me pedir coisas - falei sorrindo e ela retribuiu.

Assistimos ao Senhor dos Anéis, e ela suspirava a cada aparição do Legolas. Foi divertido, e quando dormimos já eram quase três da manhã, ela na cama, e eu em um colchão no chão.

Acordei escutando Sabrina murmurando algo inteligível e se debatendo na cama. Levantei e me aproximei dela tentando acordá-la. Quando abriu os olhos eles pareciam mais azuis que da ultima vez que eu os havia visto. Ela estava muito assustada.

Você está bem? Foi só um pesadelo. – falei enquanto deslizava as mãos por sua testa. Lágrimas desciam de seu rosto, e em nenhum momento ela me encarou.

Obrigada por ter me acordado – ela disse – pode ir deitar, eu já estou bem.

Tem certeza? Se quiser posso acender a luz, ou quem sabe podemos continuar vendo O Senhor dos Anéis.

Não precisa – ela sorriu, mas o sorriso não parecia nada com o que ela havia me dado horas atrás.

Voltei pro colchão, fechei os olhos e dormi. Durante quase todas as noites ela chorava e tinha pesadelos. Eu sempre levantava e ia acordá-la, ela nunca queria que eu ficasse perto, sempre me mandava de volta para o colchão e voltava a chorar.

Faltava uma semana pras férias acabarem, e minha mãe decidiu visitar minha avó com meu tio e meu primo. Eu teria ido se ela tivesse se dado ao trabalho de me chamar, só soube do pequeno passeio quando acordei e vi o recado sobre a mesa.

Bom dia querida, estou indo visitar a vovó com seu tio e seu primo. Espero que não tenha ficado triste por não tê-la acordado, só queria que desancasse um pouco mais, já que todas as noites você acorda com os pesadelos da Sabrina.

Joguei o recado no lixo e preparei o café da manhã. Sabrina comeu um pouco e ficamos falando sobre música durante longas horas. Quando o relógio marcava nove da noite meu celular tocou, era minha mãe, avisando que não voltaria naquela noite.

Bom, acho que vamos ter que dormir sozinhas hoje. Minha mãe decidiu ficar na casa da minha avó – Sabrina sorriu, e voltou sua atenção para o programa de televisão que estava acompanhando.

Dormimos, e como de costume, Sabrina começou com seus pesadelos no meio da madrugada. Levantei novamente e caminhei pra acordá-la. Ela abriu os olhos e disse que eu poderia voltar a dormir.

Sai de perto da cama e peguei o violão, meus dedos começaram a tocar aquelas cordas tão familiares, enquanto eu cantava pra ela. Em poucos segundos ela levantou e ficou me olhando sem sorrir, apenas observando.

Lentamente ela saiu da cama e sentou-se ao meu lado. Sem falar nada ela tirou o violão de meus braços e se colocou no lugar dele, fazendo seus longos cabelos loiros deslizarem por entre as minhas mãos.

Obrigada- foi a única palavra que ela falou antes de dormir.

O final das férias chegou. Meu tio e minha mãe haviam ido a procura de algo pra que ele levasse de recordação, enquanto meu primo estava na casa de um antigo amigo, e Sabrina fazia as malas em meu quarto.

Sentirei saudades – falei.

Não vai sentir nada, só atrapalhei você por todo esse tempo, nem dormir você pode.
Levantei e fui até ela, parando a poucos centímetros de seu rosto.

Logo, logo eu irei visitar você, e lhe ensinarei alguns acordes pra que você possa cantar pra mim. – antes que pudesse me afastar ela me deu um beijo doce e delicado.


Contarei cada segundo – ela falou e eu sorri.

Angel's Journal | Só Quero Ser Livre

21:31

Muitas vezes nós quebramos, muitas vezes é difícil, outras nem tanto. Em determinado momento de nossas vidas sem sentido, queremos um motivo para seguir em frente, um motivo que nos mantenha de pé e que não deixe nossas lágrimas deslizarem por nosso rosto.

Ultimamente minha alma tem passado por uma reconstrução tão violenta que meu corpo não está mais reagindo. É complicado imaginar como esse tipo de coisa pode se tornar tão destrutivo pra alguém? Ou seria incrivelmente complicado você parar e pensar apenas por um momento que a cada vez que fala destrói um pouco do que exite de bom em mim.

Cresci e aos poucos aprendi a ignorar opiniões alheias e comportamentos ofensivos em relação a como me visto, ou em relação a quem eu sou, mas isso se torna impraticável quando se é obrigada a permanecer ao lado de quem rouba uma parte de você a cada segundo.

Será que se você soubesse a dor que está me causando pediria desculpas? Será que se arrependeria de espalhar boatos sobre quem não sou? Provavelmente não. Sua vida se resume a ser melhor que os outros, a ser melhor que eu.

Durante toda minha vida sempre quis ser única, livre, feliz...mas isso me custa tanto, porque as pessoas se sentem livre para fazerem parte da minha vida, quando em nenhum momento abri meus lábios e dei tal permissão.

Queria que você apenas soubesse que minha alma ainda luta pra permanecer bem, que meu corpo se recusa a se entregar, e que aos poucos tudo se tornará algo pelo qual passei e do qual me recuperei, ou não, isso é tão relativo que uma certeza seria incerta.

Espero que um dia eu retorne a você não como venho agora, me lamentar, ou me colocar como você chamaria de vítima, mas espero retornar agradecendo por estar me respeitando, e silenciando em relação a minha vida.

Pena & Tinta - Música

01:00


Minha mãe me disse que mesmo antes de nascer eu já tinha uma audição de musicista, que meus movimentos eram descritos de acordo com a batida da música. Outro momento que ela costuma descrever sobre os meus momentos ainda dentro de seu ventre, é que eu ficava em um estado de paz incrível quando ela colocava musica clássica.

Nasci, o teclado e o violão se tornaram meus outros braços e pernas, com eles eu me sentia completa, nada no mundo era melhor que a sensação de escutar uma canção e saber que suas mãos é que estão dando vida a ela.

Tornei-me amante do rock. Voltei anos atrás pra reviver astros como Led Zeplin e Fred Mercury. Dormi ao som de Nirvana e acordei com paz de King of Leon. Com tempo conheci vozes como a de Renato Russo e Cazuza, chorei escutando Cassia Eller e me tornei uma rebelde ao lado da Pitty.

Quando me tornei adolescente, comecei a ter um pouco de Amy Lee e Avril Lavigne. Comecei a fazer minhas festas particulares  ao som de Kesha e Lady Gaga. Katy Perry chegou logo depois.

Cresci, meu coração bate no ritmo da música caribenha de Rick Martin e dança as coreografias Beyonce. Minhas mãos tocam canções de Ed Sheeran e Clarice Falcão. Minha voz presta homenagem a Birdy, e meus ouvidos escutam tudo e fazem de cada canção um aprendizado e uma descoberta.

Hoje abro os olhos ao som da P!nk cantando a música da minha vida. Tomo café da manhã ao de Flashlight da Jessie J. No caminho até o trabalho ouço de Epica a Christina Aguilera. Volto pra casa com a voz doce da Taylor Swift, e durmo com a melodia de Piano Guys.

Desde sempre sou amante da música, seja ela antiga ou atual, tradicional ou revolucionária, Música é um estado de espírito, as letras cantam o que se passa na minha alma, e as melodias são as partituras do meu coração.

Pena & Tinta é um projeto de escrita criativa com o objetivo de criar textos (crônicas, contos, poesias, relatos pessoais etc) mensalmente em cima de um tema predeterminado. O tema de junho foi Música, e se você quiser participar, é só acessar o grupo no Facebook :)

Angel's Journal | Despedida

16:01

Dizem que os melhores textos são escritos enquanto lágrimas borram os olhos de quem os escreve. Supus que isso fosse verdade, e agora ganhei a certeza de um ditado vivendo minha própria dor.

Sobre as lágrimas, bem, elas estão rolando em meu rosto agora. É complicado respirar enquanto escrevo tais palavras, a dor é algo muito complicado de ficar dentro de nós, principalmente dentro de mim. Meu coração é daqueles guerreiros de grandes batalhas, já viveu por muitas guerras, mas agora é chegada a hora de aposentar esse tão bravo guerreiro.

 Chegou a hora de seguir sozinha escondida por entre as gotas de chuva, de caminhar sozinha, rumo aquele destino que antes era certo, mas que agora é tão obscuro quanto à noite que cai sobre mim.

Eu poderia ter vivido sem tudo isso desde o começo, era algo comum pra mim sabe? A solidão. Ela sempre me foi legal, nunca me machucou e me deixou fazer tudo que eu quisesse com minha vida.

Mas eu me apaixonei, não como nos livros, me apaixonei sabendo que poderia acabar que eu podia sofrer, mas não queria acreditar nisso, até que aconteceu. Simplesmente acabou, simples assim, sem aviso e sem sorrisos. Acabou da mesma forma como começou, de repente.

Meu coração ficará para trás escondido naquela caixinha que um dia guardou lembranças boas de um amor agora esquecido, ficará lá até ter forças para suas últimas batidas, viverá tempo suficiente para como eu aceitar a perda de um grande amor, e aprenderá assim como eu, que nem todo o amor do mundo é suficiente para um final feliz.


Pena & Tinta | Nostalgia

11:02
Já passa das quatro da tarde, pego meu cobertor e uma xícara de chocolate quente enquanto caminho até minha varanda. Sento-me em minha poltrona favorita enquanto observo o mar dançando com toda sua beleza, refletindo a luz do sol que aos poucos começa a se pôr, tocando uma canção que me é tão familiar.  A maresia inunda meu olfato e um sorriso surge em meu rosto.

Recordo-me que anos atrás eu não costumava ficar sentada em poltronas enquanto observava o mar. Eu gostava de sentir meus pés na areia, de correr sem rumo enquanto minha irmã tentava de todas as formas resgatar sua caçula que vivia feliz demais.

Depois de um dia repleto de aventuras na praia ela me levava de volta pra casa, tomávamos um banho que na época era tão divertido quanto correr na praia, e dormíamos por horas sem nenhum tipo de preocupação.

Quando acordávamos com o sorriso encantador de nossa mãe descíamos as escadas quase nos jogando no último degrau, vivíamos em uma eterna competição de quem chegava primeiro em tudo, ela sempre ganhava, e quando eu ganhava era porque ela tinha deixado, pra me fazer mais feliz.

Depois do jantar eu ficava dentro do quarto dela por um bom tempo, ela nunca foi uma irmã chata. Sempre me deixava passar boa parte da noite com ela, e sempre me mostrava os livros novos que tinha na prateleira, e sempre me contava como era uma festa de verdade, com todos aqueles adolescentes reunidos em só lugar, prontos para destruir tudo.

Certa vez ela pediu que eu fechasse os olhos e colocou seu headphone em meus ouvidos enquanto a música começava em seu ritmo compassado. Nirvana, lithium era essa a música. Quando abri os olhos com a música ainda tocando alto o suficiente para que ela escutasse sem precisar colocar o headphone, vi que ela me encarava e dublava a música de acordo com as palavras de Kurth Cobain.

Agora, sentada aqui e observando toda essa paisagem iluminando cada parte dos meus olhos, consigo enxergar o quanto tive uma infância mágica. Era exatamente isso que parecia naquela época e é exatamente assim que se parece agora.

Nem sempre pude ter o que queria, mas sempre tive o que precisava, e devo grande parte disso a minha mãe a minha irmã, que fizeram da infância uma das épocas mais especiais da minha vida.

“O que você está fazendo ai?” levanto os olhos para ver que minha irmã se juntou a mim na varanda e começa a observar o mar como eu. “Lembrando” respondo, e ela sorri. Depois de tantos anos juntas não são necessárias muitas palavras pra ela saber exatamente o que estou falando.

“Isso é um pouco nostálgico não acha? Ficarmos sentadas aqui observando essa praia?” Faço que sim com a cabeça, e uma lágrima desce pelo meu rosto. Então ela levanta e diz “eu vou chegar primeiro” e sai correndo rumo a praia, enquanto eu jogo o cobertor de lado e saio apressada correndo logo atrás dela, pode ser que ela me deixe ganhar.

Pena & Tinta é um projeto de escrita criativa com o objetivo de criar textos (crônicas, contos, poesias, relatos pessoais etc) mensalmente em cima de um tema predeterminado. O tema de junho foi Nostalgia, e se você quiser participar, é só acessar o grupo no Facebook :)

Angel's Journal | Recomeço

10:17

Quanto tempo é necessário para sentirmos saudades de quem amamos? Eu diria que um minuto é o suficiente, até menos que isso já é capaz de deixar aquele vazio de quando nosso amor esta dobrando a esquina.

Ontem eu senti isso que chamam de saudades, não consegui dormir imaginando o que meu amor estaria fazendo naquele momento. Sei que as coisas não andam tão bem quanto antigamente, mas será que ele imagina o quanto o meu amor esta crescendo a cada dia? Eu gostaria de saber disso.

Você não conhece nossa história eu sei, mas lhe garanto que o começo foi lindo, nada como aqueles contos de fadas bobos que nos fazem acreditar em coisas que jamais acontecerão. Nosso começo foi bem real, e lembro bem de cada detalhe.

Lembro de como meu coração disparou quando nossos lábios se tocaram a primeira vez e de como um sorriso bobo apareceu em meu rosto quando o escutei dizendo que me amava. Fico imaginando agora o porquê de não ser mais assim, o porquê de toda aquela paixão parecer não existir mais entre nós.

Enquanto tudo isso passou pela minha cabeça ontem a noite, resolvi que tudo pode voltar ao que era antes, eu só preciso me dedicar um pouco mais, e tentar entender a partir de que ponto tudo começou a sair do eixo.

Desculpe por desabafar com você dessa forma tão transparente, é só que eu precisava de ajuda com isso, uma ajuda que me pudesse fazer entender o porquê que eu pareço fazer tudo errado sempre.

Obrigada por me escutar, de certa forma isso já é suficiente, saber que não estou sozinha, e que apesar de parecer uma boba eu estou certa em relação aos meus pensamentos. Agora preciso ir, vou começar a tentar melhorar as coisas e quem sabe eu volte pra lhe contar como tudo terminou.

Essa será minha tentativa de recomeço, eu só espero que ele esteja pronto tanto quanto eu pra encarar tudo novamente, mas dessa vez com um futuro diferente do que estamos vivendo agora.



Pena & Tinta | Décadas

19:37

Já fazem tantos anos que não venho aqui, parecem quase anos ou realmente tenham se passado anos desde que vim até aqui a última vez. Respiro fundo pra que me olfato se encha daquele cheiro de velhos discos que me levam décadas para trás, que me guiam a minha verdadeira época.

Sorrio com os olhos baixos para o vendedor que se esconde atrás do balcão e caminho até a minha sessão de músicas favoritas. Procuro com carinho aquelas músicas que me fazem sorrir por mais que meu dia tenha sido cheio de imprevisto e que as lágrimas estejam pesando dentro de meus olhos.

Depois de muito procurar encontro o que estava procurando, Oldiesfan de 1968, fecho os olhos e escuto a voz penetrar dentro do meu coração, fecho meus olhos e automaticamente um sorriso aparece em meu rosto. Quando volto a abrir meus olhos estou em um grande salão, sentada em uma das inúmeras mesas ali dispostas, enquanto os casais deslizam pela pista de dança.

Continuo observando por mais alguns minutos antes de perceber uma mão estendida, levanto meus olhos e o vejo ali, esperando que eu aceite sua mão. Baixo os olhos cheios de vergonha e seguro sua mão, juntos caminhamos até o centro do salão, deito minha cabeça sobre seu peito, enquanto escuto as batidas daquele coração tão compassado.

Depois de alguns minutos mergulhada em meus próprios pensamentos, começa a tocar The Archies. Ele me afasta delicadamente de seu peito e me guia pelo salão, dançando daquela forma que apenas ele era capaz de fazer, e meu sorriso tímido se torna maior que meu rosto, enquanto eu deixo meu corpo mover-se no ritmo da música.

Meus olhos finalmente se abrem, quando o vendedor diz que precisa fechar a loja. Não lembro de ter passado tanto tempo ali. Sorrio para ele enquanto caminho para fora loja, mas antes que possa sair ele pergunta sobre o rapaz que dançou comigo. 

O pergunto como ele sabe sobre aquele rapaz que frequenta apenas o fundo de minha imaginação, e ele responde que o motivo de saber sobre o rapaz, é que a garota a qual ele tirou para dançar em sonhos se parecia bastante comigo, só ai me dou conta que as mãos dele são exatamente iguais aquelas mãos que me tiraram pra dançar, e só ai percebo que tantos anos sonhando foram suficiente para torná-lo realidade.

Pena & Tinta é um projeto de escrita criativa com o objetivo de criar textos (crônicas, contos, poesias, relatos pessoais etc) mensalmente em cima de um tema predeterminado. O tema de maio foi Décadas, e se você quiser participar, é só acessar o grupo no Facebook :)

Angel's Journal - Irmã, Te Amo

15:58
Ela sabia dos perigos que corria quando decidiu fugir de casa naquela noite fria de novembro. Sabia que tudo mudaria naquele instante, e que sua decisão havia sido tomada em um momento de desespero. Mas não voltaria atrás, ela precisa encontrar a pessoa que ela mais amou na vida, mas que lhe foi roubada.

Sua família nunca lhe foi completamente sincera quando se tratava daquele assunto, sempre lhe escondiam os pequenos detalhes da história. Ela não lembrava muito bem o que tinha acontecido, mas sabia que nada do que lhe falavam era a completa verdade.

Mas naquele momento nada importava, já que não a haviam ajudado ela ajudaria a si mesma, e não importava que esse caminho lhe trouxesse inúmeros perigos desconhecidos, ela enfrentaria tudo apenas pra receber aquele abraço novamente.

Com uma pequena mochila em suas costas ela partiu rumo ao que ela considerava ser o caminho pra sua maior conquista. Caminhou durante dias antes de encontrar alguém que a pudesse ajudar verdadeiramente. Um senhor que aparentava uma idade bem menor do que realmente tinha.

Ele lhe disse que a sua busca teria fim após alguns dias, ele deveria seguir rumo ao norte para que pudesse encontrar o que tanto desejava. E depois de dadas as instruções ele lhe aconselhou a não desistir em nenhum momento. Mesmo com uma informação tão superficial de alguém que não passava muita confiança ela seguiu suas instruções, e pensou que se realmente existisse feiticeiros, aquele seria um bom candidato a tal cargo.

Após alguns dias do encontro com o não feiticeiro, ela encontrou uma casa com um jardim repleto elfos, e viu que ali poderia morar alguém que lhe desse um pouco de comida pra continuar sua jornada que já durava uma longa e exaustiva semana.

Ao bater na porta uma senhora com belos olhos lhe olhou por um instante antes de perguntar o que ela desejava, e ao saber da necessidade da tal garota ela lhe ofereceu um pouco do que parecia ser o almoço naquele dia. Ela aceitou de bom grado a oferta da senhora e continuou seu trajeto se sentindo cada vez mais próxima ao seu objetivo.

Quanto mais se passavam os dias, mais ela percebia que suas forças estavam se esvaindo, mas se recusava a desistir sabendo que estava tão perto. Ela precisava daquilo. Levantou lentamente da calçada na qual dormiu na noite anterior e com seus pequenos olhos ela encarou o horizonte que a aguardava com anseio depois de tantos dias, e então se deu conta de que nem mesmo sabia onde estava, e isso a fez abrir um largo sorriso sem ela nem mesmo saber o porquê.

Respirou fundo e correu como se sua vida dependesse daqueles passos que consumiam o que restava de suas forças, enquanto as lágrimas percorriam todo seu rosto ela apenas continuou, se entregando cada vez mais as lembranças de quando sua irmã mais velha partiu sem ao menos se despedir dela. Foi um daqueles dias que começam avisando que darão errado independente do quanto você tente melhorá-lo.

A mulher na qual ela se espelhara havia partido sem ao menos olhar para trás, e durante todos aqueles anos ela sempre pensou que era o motivo de sua irmã ter partido. Mas há duas semanas ela descobriu o real motivo, e foi isso que a fez sair de casa no meio da noite em busca do seu lugar seguro.

Ela parou a poucos metros de sua irmã que estava sentada na beira de um rio sozinha. Ainda ofegante ela caminhou até se aproximar o suficiente para que sua irmã pudesse saber que alguém estava ali.

Sua irmã levantou-se e a encarou pelo que pareceram horas, sem acreditar no que estava vendo. Depois de tantos anos longe ela não imaginou que sua irmã mais nova fosse ao seu encontro algum dia. Sem saber muito que fazer ela apenas chorou enquanto observava a mulher que sua irmã havia se tornado. Mas antes que pudesse falar algo, aquela que encarou todos os perigos do mundo para poder vê-la novamente começou a falar tão rápido que era quase impossível entender o que saia de sua boca.

“Eu sei por que você foi embora e também sei que não fui o motivo de isso ter acontecido. Você era minha única família, mas você me deixou porque pensou que de alguma forma eu não a amaria mais.  Você tem ideia do quanto isso me machucou? Eu não tinha pra onde ir, nem com quem conversar nossos avós nem me deixavam mencionar o seu nome.

Eu sempre achei que você voltaria. Toda noite antes de dormir eu ficava perto da janela esperando que você voltasse pra levar junto. Mas você nunca voltou, e eu tive que crescer sozinha porque a minha única irmã foi embora. Mas eu sei que se pudesse você não teria me deixado, por isso eu nunca parei de pensar em você, eu sabia de onde quer que você estivesse você estaria cuidando de mim, me guiando como sempre fez.

Mas agora eu estou aqui, e não vou deixar você, por que irmãs precisam ficar perto uma da outra, não importa porque nem como, só precisam. Então ficarei aqui ou irei para  qualquer outro lugar que você vá. Porque agora eu me tornei uma mulher como você, e posso te proteger como você me protegeu por tantos anos.”


Angel's Journal [2]

12:44

Oi? Alguém ai me escuta? Fugi do mundo há muito tempo atrás, mas agora sinto falta de tudo, como está tudo ai fora? Algo mudou ou a dor permanece a mesma? Sei que foi uma decisão brusca e muitos acharam sem sentido, mas eu não suportava mais todas aquelas lágrimas. Mas não eram minhas lágrimas, eram lágrimas das pessoas que um dia amei, mas que agora estão longe, em algum lugar onde suas almas possam respirar novamente.

Durante todo esse tempo venho me afogando dentro do meu oceano particular, e até agora você foi à única voz que se atreveu a se aproximar o suficiente para que eu pudesse escutar. Eu tenho alguma sorte de conseguir dormir, mas ninguém tem a sorte de conseguir me ouvir falar.

O paraíso parece tão longe agora, eu acho que até mesmo já pensei em desistir, seria bem mais fácil pra mim, mas seria egoísta pensar só em mim. Não sei se você escuta minhas palavras, mas se estiver quero que você fale o máximo que puder aos outros, diga-os, que estou bem e permanecerei aqui por muito tempo.

Sei que todos me olham com lágrimas nos olhos, consigo sentir isso algumas vezes, mas com o passar do tempo tenho percebido que as lágrimas diminuíram talvez eu não seja mais tão necessária quanto possa parecer. Apesar de tudo isso, ficarei por aqui até alguém decidir que realmente me tornei desnecessária.

Não sei por quanto tempo fiquei gritando aqui até me dá conta de que tudo não se passava de uma brincadeira pregada pela minha própria mente. É vergonhoso dizer isso agora, mas aquilo me ajudou a aguentar até aqui.  

Não sei o que você está vendo, esses dias tem sido como correr em círculos, e nem ao menos percebi o porque de eu não ter mudado de ideia e ter partido rumo a um lugar onde eu possa ser eu mesma, isso é o que preciso agora, mas ainda darei uma chance de encontrar a razão de permanecer aqui.

Você precisa ir, eu sei, mas, por favor, carregue minhas palavras com você, diga-os que todo esse tempo eu estou esperando uma nova solução,  e que as respostas para todas as perguntas estão estampadas em tudo que aconteceu.


Angel's Journal [1]

17:08

Já  fazia tempo que os pedaços dela não se espalhavam pelo chão de quarto. Há quanto tempo ela havia permanecido ali? Uma duas semanas? E tudo porque todos se recusam a enxergar a realidade através das palavras mencionadas por ela.

Ninguém realmente sabia o que se passava por dentro daquela mente genial, e cheia de idéias, ninguém nunca realmente se importou verdadeiramente, será que se importariam agora que ela conseguiu uma conclusão pra tudo? Provavelmente não, eles nunca se importaram, apenas em momentos mais convenientes, nesses momentos sim ela fazia diferença. Mas enquanto lágrimas rolavam pelo seu rosto, eles estavam animados comemorando algo para o qual ela nem mesma foi convidada.

Quando aquilo começou? Ela não sabia responder, desde que lembrava sua vida era assim, sem família, sem amigos, sem ninguém, e nem mesmo ela entendia como havia chegado até ali.  Tudo sempre foi tão confuso que muitas vezes ela imaginou ter chegado ao auge da loucura, mas definitivamente o auge era aquele momento.

Seus olhos pesavam enquanto seu corpo cedia ao cansaço causado pelas lágrimas. Quantas vezes ainda seriam necessárias pra que alguém visse que ela precisa daquilo que as pessoas costumam chamar de paz.
Depois de algum tempo tentando colocar seus poucos pedaços no lugar, ela decidiu que levantar poderia trazer um pouco de conforto. Seus olhos nem mesmo conseguiam distinguir as cores, é verdade que sua vida mais parecia uma grande escala de cinza, mas por um segundo ela imaginou que seria capaz de enxergar algo diferente.


Colocando os cotovelos apoiados em seus joelhos e sua cabeça nas mãos, ela chegou que aquilo precisava seguir por uma nova correnteza (é assim mesmo que se fala?) pensou ela. Não fazia diferença. Aquele seria o momento que seu quarto minúsculo deixaria de ser sua casa.
Levantou-se de sua cama, recolheu seus poucos pertences e partiu pela porta que a separou das pessoas por tantos anos. Será que ainda tinha tempo de mudar algo em sua vida? Disso ela não tinha certeza, mas algo dentro de sua cabeça dizia que ela deveria tentar.

Fechando a porta ela seguiu por aquela rua sem cor e cheia de pessoas das quais ela não conseguia enxergar nem mesmo a fisionomia, talvez tanto tempo fugindo daquele mundo a tivesse roubado lembranças que pudessem ajudá-la a lidar melhor com tudo aquilo.

Respirando fundo ela pôs sua mochila nas costas e caminhou rumo ao desconhecido, na esperança de manter o que restava dela mesma, e talvez conseguir recuperar todos os outros pedaços que ela havia perdido durante todos aqueles anos. Isso seria possível? Algo dizia que sim.


Além disso aquela voz que sempre a acompanhou em seus anos de solidão lhe dizia que ela precisava encontrar algo chamado amor, e mesmo sem saber o que era aquilo, ela soube que se o encontrasse sua vida teria um novo sentido, e talvez ganhasse um novo fim.

Angel's Journal - Suicídio

14:31

Quem nunca soube de alguém que decidiu que o fim de sua vida seria melhor que continuá-la? Quem nunca pediu a alguém que ama pra tirar essa ideia da cabeça? Quem nunca quis desistir de tudo porque nada mais parecia valer à pena?
Fazem alguns minutos que eu discutia esse assunto entre colegas de trabalho e cada um dele tinha sua opinião o que é normal e totalmente aceito quando falamos em sociedade. Mas uma opinião me deixou um pouco irritada, creio que pela falta de conhecimento, e o tempo fez com que sua opinião se tornasse tão deturpada.
Eis aqui a opinião que ouvi "suicidas são pessoas fracas que decidem escutar pessoas que não importam, que não escutam os pais e que vão queimar no inferno pra sempre." Ok, poderia ter permanecido calada, mas não...quis violar minha sanidade mental falando isso. Então foi o motivo de eu ter vindo até aqui hoje falar sobre isso pra vocês. Até porque alguém ai pode pensar que nem ela, e se você pensa assim você está estupidamente errado ou errada tanto faz.

"Ela respirou fundo e então sussurrou 'eu não aguento mais'"

Recentemente um rapaz tentou cometer suicídio na cidade onde moro e eu, até então, não sabia do ocorrido, mas como todo mundo ama espalhar uma fofoca ruim eu fiquei sabendo bem rápido. A surpresa foi saber que as pessoas que estavam presentes gritaram "pula!".

Preciso dizer que esse era objetivo dele quando ele subiu na ponte? Não! Então pra que mandar ele pular? Porque não ir até ele e tentar acalmar o coração dele que, com toda certeza já não tinha mais nada além de dor?

Muitas pessoas pensam que assassino é só aquele cara que mata alguém com as próprias mãos. Sinto-lhes informar que cada pessoa que gritou "pula" matou aquele rapaz, ele só precisava de alguém que o escutasse, que lhe desse a mão e não que lhe empurrasse da ponte.

" E a pior parte sobre ter que ir ao psicólogo é que você sabe que precisa pagar alguém pra te ouvir porque ninguém mais quer realmente fazer isso"

A única coisa que eu preciso, é que vocês entendam que sorriso não é sinônimo de felicidade, e que pessoas são frágeis demais pra você se atrever a falar algo que destrua o que ainda a sustenta de pé. Todos precisamos entender que a pessoa não desiste da vida por motivos fúteis, elas desistem por causa de pessoas que gritam "pula" ao invés de lhe estender a mão, elas desistem porque quando elas pedem ajuda ninguém é capaz de enxergar.

Então, peço de todo o meu coração, quando alguém lhe confidenciar que pretende cometer um suicídio ajude-a com sua alma, com toda a força e todo o amor que ainda existe dentro de você. E lembre-se a maioria pede socorro em silêncio, gritam com a alma enquanto o pouco que ainda lhe resta a mantém viva.
Seja alguém que devolve a vida, e não aquele alguém que grita "pula".!
 
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